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“Não podemos falar em desemprego. Bebedouro e região, hoje, são exemplos para o Brasil em termo

21 de agosto
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O empresário José Francisco de Fátima Santos afirma, em entrevista à Rede Globo, que Bebedouro é exemplo de geração de empregos para o Brasil

Se a reportagem produzida pela EPTV/Ribeirão Preto e exibida em vários telejornais da Rede Globo, surpreendeu pelo conteúdo, não pegou de surpresa os bebedourenses, pois dias antes de sua exibição, pessoas de Bebedouro já anunciavam pelo WhatsApp que o empresário José Francisco de Fátima Santos apareceria na Rede Globo numa importante reportagem sobre Agronegócios.  
E para coroar o otimismo fora do comum do trabalho produzido pela EPTV, famosa por cobrir só fatos negativos de Bebedouro, o repórter João Carlos Borda apresentou o citricultor que cedeu a fazenda e os funcionários para a produção da reportagem, o empresário José Francisco de Fátima Santos: “o seu José Francisco, dono de uma das maiores fazendas da região, contratou muita gente para trabalhar nos laranjais e sabe que está na contramão do desemprego do Brasil”.
Referendando o que a reportagem destacou, o empresário José Francisco de Fátima Santos afirmou que não tem desemprego em Bebedouro: “Não podemos falar em desemprego. Bebedouro e região, hoje, são exemplos para o Brasil em termos de emprego”.
E na reportagem que mais parecia um comercial de TV, a EPTV deu o toque que faltava para que o convite para que os desempregados venham para Bebedouro ficasse ainda mais atrativo: “o salário pode chegar a R$ 2000 por mês, uma realidade que transformou operários da construção em laranjeiros orgulhosos que não pensam em mudar de vida”. E para confirmar isso, puxaram novamente o colhedor de laranjas Adriano Scaglioni, para fechar a reportagem/propaganda com: “Não trocaria [esse emprego] não. Sou pedreiro, não. Sou laranjeiro mesmo, laranjeiro da gema”.

Pegou mal
Nas redes sociais, quase ninguém concordou com a reportagem da EPTV/Globo [veja a repercussão na página “O Jornal do Ed Pimenta”] e os raros que reconheceram que realmente empregos foram gerados na cidade, destacaram que foi de “colhedor de laranja”, algo que apesar da tentativa da EPTV em fazer crer que é algo fantástico, está longe de ser a função mais cobiçada pelos jovens e por aqueles que estudam em cursos técnicos ou pagam faculdade.
Estranhamente a EPTV não foi ouvir o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Saulo Gonçalves dos Santos, que poderia informar à emissora, como informou ao O Jornal, que boa parte dos empregos que aparecem como gerados em Bebedouro não são gerados na cidade, e nem foi ouvir comerciantes da área central, que com certeza diriam que não viram “essa explosão na oferta de empregos”, até porque, o próprio CAGED mostra que em julho a Indústria gerou 2 empregos, o Comércio, 7 empregos, o setor de Serviços, 19 e a Construção Civil, demitiu 48 pessoas. Será que podemos considerar isso uma “explosão de empregos”, quando o único setor com movimento expressivo foi o Agronegócio, onde a colheita da laranja gerou 446 empregos e boa parte desse número foi gerado em outras cidades?
Outro fato estranho é que a EPTV direcionou todos os holofotes para Bebedouro, numa clara intenção de atrair desempregados para cá dispostos a trabalhar na laranja, deixando de destacar que outras cidades, produtoras de laranja, conseguiram “feitos” ainda mais admiráveis no que se refere à geração de empregos na laranja.
Segundo release divulgado pela CitrusBR, a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos, “a citricultura foi uma das atividades que mais gerou empregos no Estado de São Paulo e no Triângulo Mineiro. De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o segmento foi responsável pela geração de 45.508 postos de trabalho entre julho de 2016 a junho de 2017, período que compreende a safra 2016/2017 de laranja. A maior parte das contratações ocorreu entre os meses de janeiro e junho desse ano, quando foram criadas 32.190 vagas, aumento de 4,82% em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o diretor-executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), Ibiapaba Netto, a citricultura é extremamente demandante de mão de obra, principalmente na colheita, que é feita de forma manual”.
A CitrusBR destaca “Entre os municípios que a citricultura mais gerou empregos estão Mogi Guaçu com 3.657 contratações, seguida por Colômbia com 3.512. Em terceiro lugar está a cidade de Botucatu, que contratou 2.920 trabalhadores e a mineira Comendador Gomes, com 2.475 admissões. As cidades de Bebedouro e Matão, dois importantes polos de produção de laranja, ficaram em sétimo e em nono lugar, com 2.129 e 1.370 contratações respectivamente.”
Estranhamente a EPTV destacou a cidade que ficou em sétimo lugar nas contratações, deixando de pelo menos destacar as outras, que também poderiam receber os desempregados do Brasil que quiserem se oferecer para trabalhar como colhedor de laranjas, podendo obter remuneração de até R$ 2.000, caso colha 3.334 caixas de laranja no decorrer do mês, o que representaria algo em torno de 167 caixas por dia útil, o que dentro da média obtida pelos colhedores seria um fenômeno.
O O Jornal fez o que a EPTV não fez e entrevistou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Saulo Gonçalves dos Santos, e na próxima edição vamos destacar a verdade dos fatos e o que aconteceu a partir da reportagem da EPTV.
Entramos em contato com a divisão de jornalismo da EPTV, informamos sobre as críticas que estão sendo feitas à reportagem sobre empregos em Bebedouro e a emissora ficou de enviar uma nota de esclarecimento. Até o encerramento da edição, às 18 horas, a emissora não havia se pronunciado.


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