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Diretor nega interesse na privatização do SAAEB

11 de setembro
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O diretor de Desenvolvimento, Lucas Seren afirmou que o objetivo da Prefeitura é “modernizar os serviços prestados à população”. Difícil acreditar nisso.

A reportagem de O Jornal, mostrando que a Prefeitura estuda entregar o SAAEB para a iniciativa privada, caiu como uma bomba na cidade e referendou o que já era proliferado desde o início da semana nas redes sociais em virtude do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) nº 01/2017, publicado no dia 23 de agosto na Imprensa Oficial Eletrônica no site da Prefeitura, que prevê “estudos de estruturação técnica e econômica, juridicamente fundamentada, de projeto de Parceria Público-Provada para concessão dos serviços de gestão, manutenção, adequação, reforma e ampliação do sistema de água e esgoto”.
Enquanto o debate ficou nas redes sociais ninguém da Prefeitura se manifestou, mas como sempre acontece, quando o assunto foi retratado pelo O Jornal, não tiveram outra alternativa a não ser tentar se explicar. Se explicar via Assessoria de Imprensa no site da Prefeitura? Não, se explicar, através do “jornal do prefeito”, à Gazeta de Bebedouro.
Seguindo a tradição, quando se trata de temas polêmicos, o prefeito foge e indica alguém para defender a Prefeitura. O escolhido da vez foi o diretor de Desenvolvimento, Lucas Seren. O que o diretor Lucas Seren tem a ver com o SAAEB? Ele é diretor do SAAEB? Ele é o diretor de Gabinete, a pessoa que tem autoridade para falar por toda a Prefeitura? A coisa já começa errado por aí.
Para o “jornal oficial”, a Gazeta de Bebedouro, o diretor Lucas Seren negou a privatização: “Isto está fora de cogitação, o prefeito é absolutamente contra. O objetivo da gestão é modernizar os serviços prestados à população, com parceria da iniciativa privada, como já o fizemos em outras áreas, como no Transporte Coletivo, no Museu de Bebedouro e na Feccib nova, que hoje, são mantidos com parceiros.”
Se o interesse é mesmo modernizar a gestão, por que não começaram pelo IMESB, que vive crise atrás de crise? Por que optaram pela autarquia que dá muito lucro?
Outra coisa: comparar o SAAEB com a área da Feccib abandonada e o museu que nunca esteve à cargo da Prefeitura e não rendia nada para ela, é piada do diretor Lucas Seren. Fizeram PMI para a Feccib nova e para o museu? Respeitem a inteligência das pessoas.
Por mais que disfarcem, o interesse é meramente econômico, ganhar mais dinheiro em cima do SAAEB às custas da população com aumento nas tarifas. Não tem segredo: o estudo é para avaliar quanto as empresas se propõe a pagar e eles pagarão, podendo livremente cobrar o que pagaram da população, aumentando as tarifas. E tem mais, as coisas estão tão encaminhadas, que o PMI prevê entrega dos estudos em 90 dias, para logo em seguida lançar uma licitação para escolher a empresa que ficará responsável pelo SAAEB, possivelmente através do regime de concessão, depois de pagar um bom valor para a Prefeitura. 
O diretor Lucas Seren afirmou que “o estudo pode abrir caminhos e possibilidades”, sem especificar quais seriam os “caminhos” que os interessados apresentaram ao prefeito a ponto do mesmo abrir dados estratégicos do SAAEB para que pudessem vasculhar. Seren também não destacou quais seriam as “possibilidades” que fizeram os olhos do prefeito brilhar. Será que as possibilidades referem-se aos ganhos financeiros que a Prefeitura pode obter, já que não conseguem utilizar o dinheiro do SAAEB, na forma que está, do jeito que gostariam e por isso querem “criar essa parceria”?
E o diretor Lucas Seren ainda disse: “Além disso, a Prefeitura está sempre em busca de parceiros para modernizar e melhorar a gestão. Este é o caminho mais eficiente e que tem gerado bons resultados nas diversas cidades e estados que têm aderido.”
Se a “Prefeitura está sempre em busca de parceiros para modernizar a gestão”, por que não atenderam a sugestão do vereador Chanel de encontrar um parceiro para reorganizar o funcionalismo e utilizar melhor os recursos? Por que em quatro anos e oito meses de gestão não encontraram um parceiro para modernizar o IMESB, que tem muito mais problemas do que o SAAEB? Isso é conversa fiada, desculpa esfarrapada de quem não imaginava que o assunto ia ganhar a repercussão que tomou.
Se a defesa feita até aqui pelo diretor Lucas Seren não colou, ficou ainda pior quando ele disse: “É importante ressaltar que se os estudos não forem viáveis, não iremos aderir, e se mostrarem boas saídas, discutiremos com a sociedade”.
“Se mostrarem boas saídas, discutiremos com a sociedade?” Para! O prefeito não vê saída em relação ao SAAEB? A situação do SAAEB, uma autarquia rentável, é grave? Por não ver saída para o SAAEB o prefeito Galvão abriu a autarquia para que uma empresa, com muitos interesses, avaliasse o quanto de ganho pode obter para fazer uma proposta a Prefeitura? Está na hora do prefeito Fernando Galvão Moura começar a falar a verdade, pois o mundo de faz de conta e mentiras destes quatro anos e oito meses, já deu.
E como a versão do diretor Lucas Seren não colou, resolveram chamaro diretor do SAAEB Gilmar Feltrim, para que ele confirmasse a versão da Prefeitura, e aquele que deveria ter sido o primeiro a ser ouvido (já que é quem nos últimos seis anos responde pelo SAAEB), afirmou: “Precisamos deste ‘procedimento’ para analisar o quanto deverá ser investido no sistema de água e esgoto da cidade”. 
Surpreendente a resposta do diretor Feltrim. Se a Prefeitura realizou um estudo para solicitar recurso do Governo Federal para o esgoto, ela não sabia o quanto deverá ser investido no sistema de água e esgoto da cidade? Será que uma autarquia na qual trabalham vários engenheiros, nenhum tinha competência para realizar um cálculo, que é ensinado nas faculdades de Engenharia para se chegar ao valor que deverá ser investido no sistema de água e esgoto da cidade? Desculpe sermos estraga prazer novamente, mas até empresas foram contratadas pelo SAAEB para fazer o estudo que agora eles dizem que outras empresas, a partir do ‘procedimento’, vão fazer. Para azar do prefeito Galvão, dos diretores Seren e Feltrim e da Gazeta de Bebedouro, nós temos excelente memória.
E o diretor Feltrim completou: “Bebedouro cresceu, tem novos bairros e grandes demandas para atender, como novos poços profundos, troca de rede, diminuição de perdas, emissários de esgotos e aumento de capacidade da estação de tratamento da Mandembo. Precisamos desta avaliação técnica para buscar parcerias.”
A dúvida permanece: entre aquele monte de engenheiro que ganha bem do SAAEB, nenhum deles tem competência para calcular todos esses custos?
E fechando com chave de ouro, o diretor Gilmar Feltrim confessou: “A Prefeitura já antecipou seu posicionamento aos técnicos que aceita realizar as avaliações, desde que não se trate de venda ou privatizações.”
O que mais foi tratado nessas reuniões diretor, Gilmar Feltrim? Quais estimativas os técnicos passaram? Quanto se ganha com esses procedimentos de concessões? Com certeza tudo isso foi bem abordado pelos técnicos, pois para os olhos brilharem e o prefeito rapidamente autorizar que as empresas acessassem dados estratégicos do SAAEB para calcular o quanto vale, números bem vistosos foram apresentados. Divulguem esses números, senhores! A população adoraria saber para entender o interesse em “modernizar” a autarquia que vai bem, enquanto o que vai mal, segue a Deus dará.


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