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Conta de água pode chegar a custar quase R$ 90 em casos de concessão

18 de setembro
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Funcionários do SAAEB comparecem à Câmara com medo da “terceirização”. Vereadores repercutiram o assunto e também convocaram o diretor de desenvolvimento, Lucas Seren, a prestar esclarecimentos 

Funcionários do SAAEB lotaram a Câmara na sessão da segunda-feira (11). Temerosos após a publicação do Processo Administrativo de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) nº 01/2017, publicado no dia 23 de agosto na Imprensa Oficial Eletrônica no site da Prefeitura, aberto à “Parceria Público-Privada”, que dizia que “O presente PMI é aberto mediante requerimento de particular interessado para desenvolver os estudos. As empresas Andraus Troyano Frayze David Sociedade de Advogados e Kappex Assessoria e Participações Eireli – Consorciadas, são autorizadas neste ato a desenvolver os estudos. O objetivo deste PMI é a estruturação técnica e econômica, juridicamente fundamentada, de projeto de Parceria Público-Privada para concessão dos serviços de gestão, manutenção, adequação, reforma e ampliação do sistema de água e esgoto do município de Bebedouro.” Trocando em miúdos, a ideia seria passar a gestão da autarquia, extremamente rentável, a um empresa privada, num sistema que pode ser parecido com o da Sabesp, que controla algumas cidades do nosso estado e que é conhecida por cobrar altas tarifas de água. Em Presidente Prudente, por exemplo, cidade controlada pela Sabesp, o gasto de 6 m3 em um imóvel vago (sem moradores), resulta em espantosos R$ 88,89 para o contribuinte pagar, conforme imagem que ilustra esta reportagem. 
Para explicar o assunto, o vereador Nasser fez um requerimento convocando o diretor de desenvolvimento Lucas Seren a comparecer à Câmara. Seren, de acordo com a vereadora líder do prefeito Galvão na Casa, estaria à frente dos estudos. 
Como vários moradores do Jardim Itália questionaram o vereador sobre a falta de água no bairro durante a semana, Nasser, ao utilizar a tribuna, traçou um paralelo entre a falta de água e a possível terceirização do SAAEB. “Na questão do Jardim Itália houve o deslocamento de uma luva, que ocasionou o desperdício de água. Mas os moradores de lá estão desde quinta-feira (07) sem água. Disseram que o problema era pontual, mas e o Boa Vista? E o Pedro Paschoal? E o Santaella que vira e mexe está sem água? Como justifica se o problema foi em uma luva afetar quase toda a cidade? A quem interessa esse tipo de ação? Tem que ser investigado, pois não é normal. Eu fico pensando aqui no SAAEB, com possível privatização, com possível parceria público privada ou mesmo concessão. O que eu sinto é que no fundo quem sempre perde é a população”, disse Nasser, “levantando” uma lebre de que a falta de água pode ter sido proposital, de modo a deixar a população “irritada e insatisfeita” com os serviços para facilitar uma possível concessão. “Não é teoria da conspiração não. Eu chego a pensar que estão querendo desgastar o nosso SAAEB, só isso. A que interessa isso?”, finalizou. 
Saindo em defesa do governo Galvão e tentando colocar panos quentes no medo dos funcionários do SAAEB com a possível concessão (que caso aconteça pode gerar demissões na autarquia), a vereadora Sebastiana Tavares disse: “Quando se fala sobre esse estudo que foi colocado no diário oficial para a contratação de avaliação do SAAEB para gestão, para concessão, não é privatização, privatização eu sou contra também como eu já falei, e tenho certeza de que todos nós aqui somos contra. Ninguém gosta de dar alguma coisa que é nossa, que para todos nós tem muito valor. Mas nós precisamos, o nosso prefeito, o Lucas, em conversa lá entre eles, acharam que tinha que ter colocado uma firma para que pudesse avaliar, não quer dizer que vai acontecer. Isso os funcionários podem ficar tranquilos, o lugar é de vocês, tá? Não tem problema nenhum para nenhum funcionário, eu sou contra privatização, eu sou contra, como o nosso prefeito também é contra. Mas nós temos também que ter responsabilidade com o nosso município, não quer dizer que vai acontecer. É apenas um estudo, tá? E tudo que cria e criaram toda uma movimentação sobre isso, um terrorismo, um populismo, sabe? Eu fico muito triste, eu fico derrotada, porque eu amo essa cidade, estou há 27 anos aqui. (...) Não quero ver essa cidade ir para o buraco, nós temos que ter responsabilidade. Quanto a falta de água, faltou comunicação. Agora quando se fala em sabotagem, eu não acredito”, finalizou. 
Com a ida do diretor Lucas Seren à Câmara, espera-se que ele finalmente dê explicações plausíveis sobre o fato e sobre ceder à parceria público privada uma autarquia tão rentável e eficiente quanto o SAAEB. 


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