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TV Câmara pode custar cerca de meio milhão aos cofres públicos

18 de setembro
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De acordo com valores aplicados em cidades semelhantes a Bebedouro, gastos podem chegar a R$ 500 mil. Para poderem aparecer mais, vereadores podem deixar conta amarga para Bebedouro

Aparecer em TV e divulgar “grandes feitos” como pedidos de poda de árvores, limpeza de terrenos ou homenagens diversas pode custar caro aos já combalidos cofres de Bebedouro. Anunciada pelo presidente da Casa, José Baptista de Carvalho Neto, o Chanel (SD), no dia 03 de abril deste ano como um grande avanço, o assunto ficou esquecido desde então, até que durante a sessão da segunda-feira (11), o presidente falou novamente sobre isso. “Uma empresa de Ribeirão Preto foi contratada para fazer o projeto da TV”, disse, completando que ele iria nesta semana se encontrar com representantes da empresa para dar andamento no projeto. 
A TV Câmara deve funcionar mais como um “refletor de egos” do que propriamente para divulgar coisas realmente relevantes para a cidade, já que a produção dos vereadores é bem abaixo da esperada. Basta dar uma olhada rápida nas pautas da semana para ver que os “grandes feitos” não passam de pedidos de poda de árvores, construção de valetas, colocação de lombadas, limpeza de terrenos e outras coisas menores, que nem deveriam ser alvo de pedidos já que faz parte (ou deveria fazer), do dia a dia de uma prefeitura que se preze. 
Chanel, na sessão do dia 03 de abril, falou também que “O canal de televisão acabou caindo no colo. Às vezes vai para fazer uma coisa e não dá certo, as consegue outras coisas (...) Dificuldade existe e sempre vai existir, mas temos que erguer a cabeça e ir atrás de algo que dará retorno positivo ou que a longe, médio ou curto prazo pode trazer melhorias para a cidade (...).
Porém, o que se sabe, é que a implantação de um TV Câmara custa caro e nem sempre o resultado é o esperado. Conforme apurado pela reportagem de O Jornal, ações como esta em cidades parecidas com Bebedouro custaram, em média, R$ 500 mil/ano. 
E Ribeirão Preto, cidade que serviu de inspiração para o pedido dos vereadores, o custo de “contratação de empresa especializada para fornecimento e montagem do sistema aberto de standard definition custou R$ 385 mil”, conforme informou à reportagem a assessoria da Câmara de Ribeirão Preto. Informou também que a Casa utiliza 23 funcionários que custam, com vale-refeição, 13o salário e férias, R$ 107.922,11 por ano.  
Em Mogi das Cruzes, só com antenas, a Câmara de lá gastou R$ 1 milhão. Segundo o jornal “Guarulhos Hoje”, só com a locação e manutenção de equipamentos, o custo mensal da TV Câmara era de quase R$ 50 mil, sem contar os gastos com pessoal.
Em São Paulo, a TV Câmara Municipal, 12 horas no ar e a serviço de 55 vereadores, exige desembolso de R$ 1.768.000,00 ao mês.
E enquanto os vereadores de Bebedouro estão fazendo a loucura de instalar um canal de TV na Câmara, em Criciúma/SC, os vereadores já enxergam o fim da TV Câmara que custa quase meio milhão por ano e não tem boa audiência. Para a jornalista Karina Manarin, o presidente da Câmara de Criciúma, Júlio Colombo afirmou: “Estamos transmitindo desde o dia 16 de janeiro e cada sessão tem a média de acesso de 3,6 mil pessoas. A audiência da TV Câmara é muito baixa. Atinge um número muito limitado, por isso partimos para o Facebook. A tendência da TV Cidadã é sumir. A TV Cidadã no ano passado consumiu cerca de R$ 450 mil.”
Perguntado sobre os custos, o vereador Jorge Cardoso, grande encorajador do projeto, respondeu a um jornal local: “Não será utilizado recursos da Prefeitura, grande parte deste projeto é financiado em parceria com a Câmara dos Deputados, com contrapartida da Câmara, mas é pequena. Grande parte dos equipamentos utilizados serão enviados de Brasília. Cabe à Câmara organizar pessoal e o que for necessário para o funcionamento da televisão”.
Não será utilizado recursos da Prefeitura? E os recursos para a Câmara vêm de onde? A Câmara não produz dinheiro, não arrecada impostos e não tem receita própria. O Orçamento da Câmara vem da Prefeitura, que destina um percentual do que arrecada para os vereadores manterem a Casa. Vale lembrar que no final de 2016, os vereadores pediram 25% a mais de dinheiro à Prefeitura, num total desrespeito a situação econômica pela qual passa o município.
Trataremos deste assunto novamente mas próximas edições. 


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