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Prefeito Galvão tem pressa e quer passar logo o SAAEB para a iniciativa privada

25 de setembro
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Embora o assunto seja tratado como um mero “estudo prévio”, a ideia de concessão do SAAEB está bem avançada e o prefeito espera concluir o processo nos próximos meses

O diretor do Departamento de Desenvolvimento, Lucas Seren, utilizou a tribuna da Câmara na segunda-feira (18), atendendo a convocação do vereador Nasser Abdallan (Rede), para explicar a Manifestação Pública de Interesse, a MPI  do SAAEB, assinada pelo prefeito Fernando Galvão e que gerou grande polêmica na cidade, aumentando as suspeitas do interesse do prefeito em “privatizar” a autarquia mais rentável da Prefeitura de Bebedouro.
A ida do diretor à Câmara foi um mero protocolo, tão sem importância que os vereadores da base aliada, que poderiam ter rejeitado o requerimento do vereador Nasser, nem se preocuparam em fazer isso, pois só o básico seria dito e o “jogo”, para evitar dar munição aos adversários, seria mantido oculto.
A realidade nos bastidores é que o prefeito quer reforçar o caixa da Prefeitura com milhões para destravar o seu segundo mandato, e por isso tem pressa em passar logo o SAAEB para a iniciativa privada. O processo para isso está bem adiantado e por isso a estratégia agora é só “enrolar” para na hora certa “dar o bote”.
Diante disso, quem esperava grandes revelações sobre o futuro do SAAEB, do principal conselheiro do prefeito Fernando Galvão Moura, se decepcionou, pois o diretor Lucas Seren falou o mínimo possível, se justificando que “tudo que a gente fala vira polêmica” e o prefeito Galvão foge de qualquer polêmica, evitando de todas as formas ter que discutir algo com a comunidade.
Seren praticamente nada acrescentou além do que já havia dito ao jornal que até vereadores afirmam ser do prefeito Galvão, a Gazeta de Bebedouro. Afirmou que a PMI teve início quando a Prefeitura recebeu a manifestação de interesse por parte de uma empresa e que isso aconteceu em maio. Destacou que a PMI é publicada para que outras empresas tenham a oportunidade de participar e realizar seus estudos. Revelou que após o pedido de uma empresa, eles solicitaram ao Departamento Jurídico que fizesse a publicação e isso foi feito com base no que outras cidades fizeram.
O diretor explicou que a PMI tem três características: Na primeira fase, a empresa estuda as condições da água e esgoto em Bebedouro, como funciona, quais as perdas, enfim, faz o levantamento técnico. Na segunda fase, analisa a questão financeira, avaliando os investimentos necessários para que o SAAEB atenda a população e continue atendendo no futuro novos bairros e novos loteamentos. Na terceira fase, após o estudo técnico e financeiro, a empresa avalia a viabilidade do SAAEB e propõe caminhos. 
O diretor destacou que o prefeito Fernando Galvão “é absolutamente contra a privatização” e a favor do estudo, lembrando que o estudo seria feito custo zero, com as  empresas trabalhando no risco, ou seja, sem a certeza de que terão ganhos com o estudo. 
Lucas Seren omitiu a informação da própria PMI assinada pelo prefeito, que abre a possibilidade da empresa ser ressarcida pelo estudo, podendo abatê-lo quando a Prefeitura abrir o processo de concessão do SAAEB, que é a pretensão indisfarçável do prefeito Fernando Galvão. O fato dos vereadores saberem dessa informação e aceitarem sem questionar que o diretor Seren falasse várias vezes em custo zero, demonstrou ainda mais o quanto todos os vereadores da Câmara de Bebedouro estavam despreparados para a “sabatina” com o representante do prefeito Galvão.
Sobre a crítica referente à uma segunda publicação da PMI retificando a primeira, o diretor Seren tentou se desvencilhar afirmando que o Jurídico encontrou “modelos ainda mais transparentes” e por isso eles retificaram. O O Jornal apurou junto a uma pessoa da equipe do prefeito, que pediu para não ser identificada na reportagem, que a retificação ocorreu porque da forma como foi feita inicialmente, poderia ser contestada facilmente na Justiça. Diante do fato de que transparência não é o forte do Governo Galvão, que oculta muitas coisas, a segunda versão tem mais sentido.
Outro caso mal contado por parte do diretor Lucas Seren foi o de que o diretor do SAAEB Gilmar Feltrim, não estaria sabendo do ocorrido pois a PMI é uma ação da Prefeitura e não passa pelo SAAEB. Muito estranho algo que vem acontecendo desde maio não ter sido reportado ao diretor da autarquia, indicado que foi uma decisão do prefeito Galvão e do seu diretor Lucas Seren, que por coincidência, foi o coordenador da sua campanha à reeleição e atualmente é, de longe, o principal conselheiro do prefeito. O fato reforçado pelo vereador Paulo Bola (PMDB), que contou que procurou Gilmar Feltrim e ouviu dele que “ele não sabia de nada [sobre a PMI] e que alguém que poderia falar era o Lucas Seren”, só confirma o que nos bastidores da Prefeitura todo mundo sabe, só um diretor tem pleno acesso e influencia o prefeito, e ele se chama Lucas Seren.
A vereadora Mariângela Mussolini (PMDB), perguntou ao diretor Seren [e o vereador Chanel (SD), seguindo o regimento, não permitiu que ele respondesse], “se a população for contra, mesmo concessão, o prefeito deixa de fazer?”. O diretor não respondeu, mas diante do que fez com a taxa da luz, cuja cobrança a população também era contra, o prefeito fará a concessão do SAAEB e sabe que conta com os votos da sua base aliada na Câmara para aprovar isso.
O diretor Lucas Seren tentou de todas as formas passar a impressão de que o que a Prefeitura fez foi apenas um “estudo prévio”, que se mostrar alguma viabilidade será discutido com a sociedade, inclusive com audiências públicas, das quais nestes quase cinco anos o prefeito nunca participou, ou seja, nunca discutiu nada com a sociedade. Ressaltou que o objetivo do estudo é descobrir “quanto o SAAEB precisa de investimentos para atender todos os anseios da cidade”.
Para evitar polêmica maior, o diretor Lucas Seren chegou a dizer ao ser perguntado sobre como ficam os funcionários do SAAEB, que “não existe possibilidade do funcionário perder o seu cargo”. Para quem não descartou o modelo de concessão, que tudo indica será o escolhido, o comentário do diretor foi uma mera expressão política para encerrar o assunto, pois se o SAAEB for passado para a iniciativa privada, como tudo indica que ocorrerá, a empresa que assumir com certeza mexerá no time que herdou e como alguns funcionários ocupam posições comissionadas, poderão perder suas posições ou vantagens adquiridas que ainda não foram consolidadas.


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