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Sem preparo para assumir o Museu, prefeito pede ajuda

13 de fevereiro
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Enquanto a empresária Patrícia Matarazzo leva embora parte significativa do acervo, prefeito Galvão, sem nenhum preparo e sem o devido planejamento, pede ajuda até ao governo do Estado

O filósofo Edmund Burke já dizia: “Aqueles que não conhecem a história estão fadados a repeti-la”. Que o diga o prefeito Fernando Galvão (DEM), que insiste em fazer as coisas da forma errada ao invés de buscar soluções planejadas.
No primeiro governo, a população ainda deu um bom desconto para o prefeito, pois ele, dentro da sua formação de advogado, nunca administrou nada na vida e por isso realizou um governo com tantos erros.
Para um segundo mandato, muitos acreditaram que o prefeito estaria mais experiente e, dessa forma, erraria bem menos, mas infelizmente o prefeito continua cometendo erros de principiantes ao deixar o planejamento em segundo plano, optando por fazer as coisas sem o mínimo preparo.
O caso “Museu Eduardo Matarazzo” é mais uma prova evidente do despreparo do prefeito e da sua assessoria, pois ao invés de estudar, planejar e buscar soluções e só depois assumir um compromisso, optaram por assumir o compromisso e agora correm contra o tempo visando encontrar uma solução para algo que qualquer que seja a solução, custará caro a cidade, seja no aspecto financeiro (tendo que assumir os altos custos de um museu com relíquias importantes), seja o custo do tempo que o prefeito está perdendo com isso, num momento em que a cidade tem problemas mais graves para serem resolvidos.
Na sua edição de quinta-feira (9), a Gazeta de Bebedouro destacou: “Galvão pede parcerias das Secretariais de Cultura e Turismo” e completou “Prefeito pede ajuda para gerir o Museu Eduardo Matarazzo (...) Galvão reuniu-se com o Secretario Estadual, José Roberto Sadeck, para tratar de parceria para gestão do Museu Eduardo Matarazzo”.
Primeiro você divulga, na calada da noite, que a Prefeitura vai assumir o museu e algumas semanas depois você corre até o Governo do Estado e “pede ajuda para gerir o Museu”? Assume um compromisso sem ter competência para fazê-lo e depois sai correndo pedindo ajuda. Isso é preparo? Isso é atitude de gente séria e de bons profissionais? É assim que as coisas acontecem e se toca uma cidade de porte médio?

Sem preparo
Segundo a Gazeta de Bebedouro, no dia 30 de janeiro, 10 dias após anunciar que a Prefeitura ia assumir o museu, o diretor do Departamento de Desenvolvimento, Lucas Seren, se encontrou com a empresária Patrícia Matarazzo “para discutirem o futuro do Museu de Armas Veículos e Máquinas ‘Eduardo A. Matarazzo’”.
Sobre o que ficou combinado no encontro, Serem disse a Gazeta: “A Prefeitura reabrirá o Museu e será responsável pelo espaço, cuidando e fazendo a manutenção do acervo ‘Eduardo Matarazzo’”.
Quanto vai custar “ser responsável pelo espaço, cuidando e fazendo a manutenção do acervo”? A pergunta principal que deveria ser respondida antes de se afirmar que “A Prefeitura reabrirá o Museu”, até hoje não foi respondida. Por que não foi? Porque nem o prefeito Galvão e nem o diretor Seren sabem disso, pois assumiram publicamente um compromisso sem realizar os devidos estudos e sem mensurar o impacto financeiro.

Mais problemas
Além de assumir um compromisso financeiro que pode comprometer ainda mais as combalidas finanças de Bebedouro, o prefeito Galvão e o diretor Seren, aceitaram “na boa” que parte do acervo fosse retirado pela empresária Patrícia Matarazzo, ou seja, o museu que a Prefeitura irá reabrir não contará com peças importantes do acervo que deram boa fama ao Museu Eduardo Matarazzo.
Segundo informações, é possível que tenham sido retiradas do Museu Eduardo Matarazzo nos últimos meses cerca de 50 peças do acervo, a maioria veículos.
O diretor Seren ainda afirmou à Gazeta: “Logicamente que nem todas as peças ficarão lá, pois o acervo dele é muito maior do que o museu”. Quais peças do acervo original foram retiradas ao longo dos últimos meses quando Patrícia Matarazzo já planejava passar o” problema” para a Prefeitura?
E o diretor completou: “A Prefeitura, que tem o prédio, vai receber, em comodato, o acervo da Patrícia Matarazzo, para cuidar e manter o museu de portas abertas”.
O que seria esse acervo? Em que valor o acervo está avaliado? Quanto custará a manutenção? Quanto custará o seguro? Nenhuma dessas perguntas o prefeito e nem o diretor respondeu até agora.

As parcerias
“Continuaremos buscando parceria. O prefeito acredita sempre que parceria é uma boa solução... [O Clube Esplendor – presidido por Cristiano Caon, deve fazer parte da nova fase do museu] Cuidando da gestão, do dia a dia, bilheteria e cuidados porque o clube entende de carro antigo”, disse o diretor Seren à Gazeta.
Quais parcerias o prefeito têm firmadas a ponto de afirmar de bate pronto que a Prefeitura vai assumir o Museu Eduardo Matarazzo? Entender de carro antigo é o suficiente para cuidar da gestão de um museu? Sem licitação, sem contrato, sem acordo formal, fala-se que uma instituição vai cuidar do dia a dia, da gestão, da bilheteria e da manutenção? Não sabemos como o leitor encara esse show de improviso, mas para nós isso beira as raias da irresponsabilidade, pois o diretor Seren e o prefeito Galvão não estão tratando de coisas particulares deles e, sim, de algo que envolve patrimônio público e de terceiros, além de dinheiro público. Tudo é muito sério para ser tratado assim.
 
Lambança
Entrevistada pela Gazeta, a empresária Patrícia Matarazzo confirmou que nem todo o acervo permanecerá no museu: “Ainda não sei precisar a quantidade de peças que ficam. A Prefeitura vai assumir, e agora vamos trabalhar juridicamente sobre o acordo”. Que organização tem esse museu a ponto de a empresária não saber a quantidade de peças que vão ficar? Qual é o ponto que dificulta a definição sobre que parte do acervo permanecerá? “A Prefeitura vai assumir e agora vamos trabalhar juridicamente”? Não deveriam primeiro realizar um estudo, avaliar o impacto financeiro, ver como fica a parte jurídica para só depois assumir um compromisso? Como o dinheiro é publico, parece que alguns cuidados que seriam tomados caso o dinheiro fosse do prefeito e do diretor, foram desconsiderados.
A Prefeitura que deveria zelar para a permanência do acervo integral, diante do investimento que terá que fazer para manter o museu, possivelmente por desconhecimento e despreparo do prefeito e do diretor, estão deixando passar esse aspecto prioritário e o resultado é que corremos o risco ver o comprometimento das finanças municipais por conta de um acervo menor do que a comunidade poderia ter.
A atuação da empresária Patrícia Matarazzo deixou em algumas pessoas a impressão de que a parte boa do acervo ela levou e vai deixar para a cidade apenas alguns itens.
E o diretor Lucas Seren faz um comentário final que resume a “lambança” que eles estão realizando: “[Será feito um inventário para que conste no contrato] Isso pode levar uns dias, até levantar, fotografar e catalogar tudo, mas está tudo caminhando muito bem para a reabertura do Museu”. Caminhando bem para quem? Até hoje o acervo do Museu Eduardo Matarazzo não está catalogado e fotografado? Quanta falta faz um planejamento adequado!


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