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Em más condições, lavanderia do Júlia é interditada pela Vigilância Sanitária

24 de abril
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Durante fiscalização solicitada pelo Ministério Público, setor do hospital foi lacrado e, segundo a Prefeitura, já está passando por readequações para voltar a funcionar

 

No começo do mês de novembro, a Vigilância Sanitária com sede em Barretos, órgão ligado à Secretaria de Saúde de São Paulo, veio a Bebedouro fazer uma vistoria na lavanderia do Hospital Júlia Pinto Caldeira. Na ação, determinada pelo Ministério Público, foram constatadas irregularidades e inconformidades, fazendo com que o setor fosse lacrado.

Na segunda-feira (12), a equipe de O Jornal conseguiu contato com a Vigilância Sanitária de Barretos e teve acesso aos motivos que levaram a lacração da lavanderia. Segundo o que foi informado, o hospital foi inteiro vistoriado e foram levantadas várias situações de inconformidade, sendo lavrado auto de infração. Na questão da lavanderia especificamente, era necessária uma ação imediata para que continuasse funcionando, de modo que o setor precisou ser lacrado no momento da vistoria para que fosse feita uma reforma. A Prefeitura já teria apresentado um cronograma de regularização de todas as inconformidades encontradas, então a equipe da Vigilância irá se reunir para analisar os prazos e se é possível esperar os prazos solicitados mantendo o hospital funcionando da melhor forma possível. Entre as inconformidades encontradas na lavanderia está a existência de fiação exposta, que gera alto risco tanto ao local quanto aos funcionários do setor, de modo que uma reforma era urgente. Ou seja, basicamente o problema estaria na estrutura física, que se mostrava bastante prejudicada para continuar funcionando.

Quanto ao hospital, várias situações de irregularidade e inconformidade foram encontradas, de modo que foram lavrados autos de infração e a Prefeitura já se defendeu, apresentando um cronograma de adequação. Todo esse trâmite já foi comunicado no processo e ao juiz que está conduzindo a ação, para que ele dê o andamento necessário. 

Em nota oficial divulgada na quinta-feira (08), o Departamento Municipal de Saúde “informa que terceirizou temporariamente os serviços de higienização dos lençóis e demais materiais utilizados pelos profissionais do setor, devido à execução de reforma e ampliação na Lavanderia do Hospital Municipal Julia Pinto Caldeira. A diretora do Departamento de Saúde, Sônia Junqueira, afirma que a obra está sendo executada através de verbas de doações por parte de empresários bebedourenses. E não haverá prejuízo nem paralisação dos serviços do setor. Que retornarão de forma regular após o término da obra.

A obra está seguindo todos os requisitos estipulados pela Vigilância Sanitária.” Segundo o vereador Paulo Bola (MDB), disse na tribuna da Câmara na segunda-feira (12), o serviço teria sido terceirizado “a uma empresa de Rio Preto ao valor de R$ 45 mil/mês, R$ 6 mil por dia. Isso precisa ser explicado melhor”, questionou.

A nota explica, mas conta meias verdades, já que dá a entender que a reforma seria no sentido de apenas gerar melhorias ao hospital, o que não deixa de ser verdade, mas a referida obra só teve início após o local ser lacrado pela Vigilância Sanitária por más condições. Além disso, “obra está sendo executada através de verbas de doações por parte de empresários bebedourenses” ressalta, mais uma vez, que a cidade está totalmente descapitalizada e que nem um simples reforma de fiação e estrutura física pode ser feita com dinheiro próprio, dependendo mais uma vez da boa vontade da sociedade de Bebedouro. Sociedade esta que, vira e mexe, faz campanha para arrecadar alimentos, material de limpeza e também realiza eventos com renda para o hospital. A cidade, literalmente, pede socorro e se mostra, cada vez mais, perto de um colapso nas contas.

 

Não é a primeira vez

Não é a primeira denúncia sobre inconformidades na lavanderia do Hospital Júlia Pinto Caldeira. Em abril de 2015, uma profissional que trabalhava no hospital, preocupada com as condições do local, delatou a situação da lavanderia que estaria há sem alguns produtos importantes para lavar as roupas, lençóis, roupas de pacientes e médicos. “Não se trata de sabão em pó comum, são produtos específicos para limpar e descontaminar as roupas. As mais sujas voltam para a máquina, mas é uma contaminação em cima da outra. E isso vem acontecendo com frequência. Já tinham avisado que estava acabando o produto mas esperam terminar para depois comprar”, relatou na época. A profissional afirmou também que todos corriam riscos, porém estaria “de mãos amarradas” e sem poder falar nada porque as perseguições eram constantes em seu setor. “É a pior gestão que estou passando no hospital, com uma chefe de outra cidade que sequer atende o funcionário quando precisa. Só acumulando cargos e recebendo muito bem e nós, funcionários, que se danem. Triste isso”, desabafou na ocasião. O hospital, na época, era gerido pela OS Lagos-Rio.


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