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Hospital Júlia Pinto Caldeira deve mesmo ser terceirizado

18 de maio
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Secretária de Saúde afirma se basear no “sucesso da terceirização da UPA” para defender que gestão do hospital passe para uma OS. Vereador rebate. 


O Hospital Municipal Júlia Pinto Caldeira deve mesmo ser terceirizado. A informação é da Secretária de Saúde, Sônia Junqueira, que tratou do assunto na última prestação de contas da pasta. 

O tema já havia sido levantado pelo vereador Nasser (Rede), que já havia questionado a diretora, que teria desmentido anteriormente a intenção de terceirizar. Porém, assim que desmentiu, um comunicado de intenção foi publicado no site da Prefeitura chamando as Organizações Sociais (OS), que tivessem interesse, para se candidatarem. 

Depois de um bate-boca entre a secretária, o vereador e até o marido da secretária durante a prestação de contas da Saúde, em que ficaram discutindo sobre a validade de uma conversa de Whatsapp entre duas autoridades do município (o vereador e a secretária), a diretora confirmou que existe, sim, a possibilidade de terceirização. 

“Eu não posso afirmar nada enquanto estiver administrativamente resolvendo, conversando com prefeito. Eu não posso dar uma informação preliminar. Quando ela se concretizar será feita a divulgação. As empresas que demonstraram interesse estão com a documentação no departamento jurídico, elas passam por análise e devem ser habilitadas. A tentativa de fazer a terceirização é para melhorar e economizar, não para piorar. Se você faz um estudo que você vai economizar, melhorar, por que não fazer? Estávamos em fase de estudo, mas já estamos na fase de chamamento, com intenção de oferecer um serviço melhor, economizar, fazer novos procedimentos, como foi feito na UPA. A UPA é sucesso, com algumas reclamações, mas é sucesso. Os médicos recebem bem, trabalhando direitinho, há interesse de médicos de fora atenderem em Bebedouro, o que não existia, então isso é sucesso da UPA. Temos problemas, desafios, mas se você visitar uma UPA de outra cidade do mesmo porte, você verá que a nossa UPA e a empresa terceirizada são bastante profissionais, bons profissionais”, disse Sônia Junqueira.

O vereador Nasser, então, rebateu a secretária. “Eu gostaria de saber qual boa experiência estão tendo no hospital, inclusive foi internado um senhor de Viradouro que ficou aguardando atendimento e transporte para fora, atendimento especializado, e o senhor morreu. Qual seria a boa experiência que estão tendo qual é com OS? Ela disse que ainda é prematura uma essa abordagem, pois será objeto de estudo e, seguindo o trâmite do chamamento público, trata-se de um contrato de gestão permitido por lei, e eu questionei sobre os funcionários que são concursados, e ela disse que está embasada em lei. Portanto, do que deu para entender, hospital tem grande possibilidade sim de ser jogado na mão de uma organização social e é isso que eu quero saber.  Falam que estão se baseando no bom modelo de gestão da OS, mas não é isso que a população me reporta, pois criticam diuturnamente o atendimento recebido na UPA. Se permanecer desse jeito o hospital todo estaremos f... “, disse Nasser. 

No dia 04 de janeiro, a Prefeitura publicou em seu site um Comunicado de Interesse Público abrindo processo de “credenciamento de Pessoas Jurídicas de Direito Privado, cujas atividades sejam dirigidas à Área da Saúde Pública, para a Qualificação como Organizações Sociais no âmbito do Município de Bebedouro/SP, tornando-se aptas a celebrar contratos de gestão com a Administração Pública Municipal, para gestão ampla do Hospital Municipal Julia Pinto Caldeira.”

O Comunicado pegou algumas pessoas de surpresa, principalmente os funcionários, e desmentia o que a Diretora de Saúde, Sônia Junqueira, havia falado ao vereador Nasser sobre a não terceirização. “O que me intrigou foi que a primeira pessoa que procurei foi a diretora relacionada ao departamento, questionei a diretora Sônia se havia a possibilidade de terceirização e ela me disse que não, que não havia, que deveria estar tendo alguma confusão com relação ao novo hospital que quando for inaugurado deve ser contratada uma nova OS e que deve ter gestão do estado por ser hospital estadual. Para o hospital municipal, a gestão da OS ficaria apenas quanto à UPA, não do hospital. Depois foi publicado um comunicado voltando atrás de tudo aquilo que ela disse, abrindo para as empresas interessadas na área de gestão hospitalar para terceirizar a gestão ampla do Hospital Municipal. A resposta é importante para que possamos tranquilizar e esclarecer melhor os funcionários”, disse.

O vereador Paulo Bola (MDB), na época, disse que teria entrado em contato com o Departamento Jurídico questionando sobre a possível terceirização. “Eu liguei para o Dr. Caio [Hilário, diretor jurídico], e ele ficou de me falar sobre as empresas. Ele só me disse que tinha 10 empresas interessadas. Eu acho que antes de fazer qualquer contratação tem que analisar bem se é viável para o nosso hospital, pois os funcionários estão apreensivos. Vamos aguardar os acontecimentos para tomarmos uma providência”, salientou.

Ainda não há um pronunciamento da Prefeitura sobre o andamento dos estudos ou se a terceirização vai se efetivar. Apenas a secretária confirmou que a possibilidade existe sim e que estão realizando estudos. Como sempre, a falta de comunicação da Prefeitura faz com que assuntos importantes sejam tratados de última hora e sem o devido respeito com os funcionários e a população. Em qualquer cidade séria um fato importante como este seria discutido e apresentado à população antes mesmo de as empresas serem chamadas a se apresentar. Mas no “desgoverno Galvão” isso não acontece e os mais interessados no assunto, os usuários do hospital e a população em geral, só são comunicados ou na assinatura do contrato ou quando se deparam com algum problema e ao reclamar, descobrem que agora é terceirizado.


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