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Vereadores prometem travar pauta até prefeito mudar forma de governar

24 de maio
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Cidade endividada, problemas aos montes, cabide de emprego engordando: com Bebedouro repleta de problemas, vereadores reagem e travam pauta, forçando prefeito a mudar forma de governar

Sempre que deputados e senadores em Brasília ficam descontentes com a forma de governo de um presidente ou com alguma medida tomada por ele, costuma haver votação de “pauta bomba” (quando votam medidas que vão contra os planos de um presidente), ou então, no que podem, eles “travam a pauta”, deixando de votar projetos de interesse de um presidente. 
Desde a semana passada o tema “travar a pauta” veio à tona na Câmara de Bebedouro. Problemas e reclamações se avolumando, população descontente, dívida nas alturas e a inércia do Governo Fernando Galvão fizeram com que a medida de Brasília viesse para cá em um bom momento, momento de se pensar antes de agir e no qual a cidade necessita urgentemente de ação proativa. E como nada parece andar em nossa cidade (a não ser a dívida, chegando a níveis estratosféricos), alguns vereadores anunciaram que travariam a pauta e não votariam mais nada. Isso num momento em que o prefeito Fernando Galvão (DEM), está em baixa, com a popularidade a níveis assustadores e sem conseguir implantar uma marca forte a seu governo, a não ser o enorme endividamento da cidade. 
O vereador José Baptista de Carvalho Neto, o Chanel (SD), puxou a fila na sessão da segunda-feira passada, dia 13 de maio. Cansado de lutar pela abertura da estrada localizada na Fazenda Santa Irene para escoamento da safra de cana, ação que por envolver tantos produtores e também dividendos para a cidade segundo o vereador, e que merecia atenção especial da parte do prefeito, Chanel fez um longo desabafo antes de anunciar que “travar a pauta até resolver o problema”.    
“Por 5 meses fiquei muito quieto, só acompanhando os debates, e é bom em alguns momentos fazer isso, ver se o Executivo local está tendo êxito em suas ações. Há muito tempo venho conversando e pedindo mudanças, esperando mudanças, porque tem certas coisas que você fala com o prefeito sentado, e ele levantar ele esquece, não se escreve. Aquilo que se conversa sentado, de pé muda. Depois de várias tentativas fiquei frustrado com o que vem acontecendo, expectativas foram criadas mas vemos que patinamos e não saímos do lugar”, disse.
Citando o empresário Roberto Campanelli, que foi Diretor de Desenvolvimento e financiador da campanha de Galvão a prefeito, e que segundo Chanel estaria dificultando a abertura da estrada, ele continuou. “Uma pessoa que foi chefe de uma pasta chamada desenvolvimento e que atravanca o desenvolvimento da cidade. Fazer o que? Ele não fez nada, a única coisa que vi fazer foi num evento ficar dizendo que a bandeira estava torta. Trazer desenvolvimento ele não trouxe. Está provando que joga contra o desenvolvimento da cidade. Eu não posso fazer muito, o que posso fazer é me indignar e me posicionar, e perante vocês, meus colegas vereadores, posso fazer mais. Não sei trabalhar sem me posicionar. E a partir de hoje não voto mais em projetos do Executivo, não assino mais os pareceres da Justiça e Redação, vou me retirar, me ausentar do plenário. Só voto em requerimento, moção o projeto desta casa de lei. Vou travar a pauta até resolver o problema da Santa Irene. Vou travar. ‘Ah, mas você falou que vai demorar um ano’. Que dure dois, mas a minha parte eu vou fazer, e vou atravancar. Porque se o prefeito não está preocupado com a economia do município, eu estou, e se para chamar a atenção temos que parar o município, nós vamos parar. Acabou! Acabou! Tudo nesta vida tem limite. Eu não posso fazer muito, mas o que está no meu limite vou fazer. Vamos ver se temos respeito, se não quer fazer não faça, mas vai parar a cidade. Se depender de mim vai parar. Mas vamos mostrar para cidade quem está afim de trabalhar por ela e quem está brincando com ela de fazer marketing em cima da cidade, porque gestão faz muito tempo que eu não vejo fazer”, finalizou. Chanel não votou naquele dia as contas do prefeito relativas a 2015, único projeto votado naquela noite.
Na sessão da segunda-feira (20), a maioria dos vereadores reclamou da inércia do Governo Galvão, que segundo eles tropeça em erros bobos e chega até a perder verba.
Quem puxou a fila desta vez foi o vereador e presidente da Casa, Carlos Renato Serotini, o Tota (SD). Ele lembrou do mamógrafo que conseguiu ainda no governo Italiano e que nunca foi usado. Disse que o aparelho ainda está na caixa, sem uso, enquanto mulheres morrem por conta da falta de exames. O presidente se disse também indignado pelo descaso com a praça Tiradentes, local para o qual conseguiu verba para a revitalização. “Posso ter cara de bobo, mas não sou bobo não. Nós aprovamos o projeto da praça Tiradentes. Aprovamos a contrapartida, e tive informações de que até o dia 15 ou 20 de maio começariam a revitalização da praça. Cada um fala uma coisa, e agora me disseram que perder o projeto não perde, mas precisa mandar o projeto para Caixa Federal dar aval e até hoje não foi enviado para Rio Preto. Não bastando isso, tive informação de que quando chegar de Rio Preto, que a Caixa der a ordem para começar a obra, eu tenho que ir a Brasília, ligar para o Paulinho da Força que é o deputado que conseguiu a verba, para ele ir ao ministério das cidades para o ministério liberar 20% para poder começar a obra. Isso não existe. Porque não começa obra com a contrapartida que foi aprovada? Começa com o que tem, não existe isso. Por isso que dá todos esses problemas na Prefeitura, não é de hoje. Porque não contratam uma firma que tem cacife, que tem dinheiro em caixa, que começa e depois recebe? Fico indignado. Depois da verba ser aprovada, da contrapartida ser aprovada, não mandaram sequer para a Caixa autorizar o início das obras. E eu ainda tenho que ir pra Brasília e falar com deputado que já fez a parte dele. Não tem nada não, um dia da caça e outro do caçador. 
Falando sobre o problema de só olhar para o futuro e se esquecer do presente, o vereador Chanel alertou novamente para problemas pontuais e recorrentes da cidade. Tratou sobre os distritos industriais abandonados na cidade, dentre outros assuntos, além da inércia em resolver o caso da abertura da estrada da Fazenda Santa Irene. Sobre os distritos, disse que em 2010 iniciaram as conversas no Ministério das Cidades para conseguir R$ 7 milhões para melhorias, e depois de inúmeras conversas o recurso só saiu em 2015 no valor de R$ 3 milhões. “As obras foram iniciadas, porém, logo depois foram interrompidas por um ano e meio para a readaptação do projeto. E aí, senhor presidente, o senhor trouxe a sua indignação e eu trago a minha. Nota-se o ‘deixa para depois’. Não foi feito aditamento da obra na Caixa Federal, perdeu-se o prazo. Documentos não foram apresentados, e como consequência, devolução de verba. Todos sabem que os recursos perdidos não voltam mais, e consequentemente o número de ruas asfaltadas previsto para o Distrito II diminuiu. A situação do local dificulta quem é ali se instalou, e é uma barreira para quem quer investir ou precisa trafegar por ali. O que se espera é um assalto básico, e a ironia é que a prefeitura quer trazer empresas novas, mas enquanto o distrito estiver sem condições pode perder até as antigas. Não é luxo, é necessário. Quando não é a poeira, é a lama que dificulta o tráfego por lá, dificultando o trabalho das empresas e causando prejuízos. Continuamos cobrando de um Executivo desatento, ou só com foco no futuro. O Poder Executivo não pode mais se omitir na resolução de problemas que não deixam a cidade evoluir. Está escrito que a competência não está ligada ao cargo que ocupamos, ou às demandas que possuímos, mas sim como executamos ou não as demandas atribuídas. Não se pode faltar com as obrigações que o cargo e as demandas nos impõem”, finalizou.
Paulo Bola (MDB), também demonstrou sua insatisfação. “Quando não perde convênio, eles não sabem ler o que fala o convênio, e com isso vamos perdendo recursos, a população reclama pois a coisa não anda e a cidade fica atravancada por incompetência do governo, e quem sofre é a população”, disse.
O vereador Fernando Piffer (PSDB), também engrossou o coro. “Este governo que está aí perdeu a verba. O caminhão de lixo que o Silvinho conseguiu em 2017, erraram projeto na Prefeitura e perderam a verba. Presidente, empenhamos a praça Tiradentes, e o governo nem se importando. Os carros que o Baleia concedeu a duas instituições de Bebedouro, a Prefeitura errou no projeto e as entidades perderam os carros. O asfalto que o deputado estadual Samuel Moreira conseguiu que era para ter sido realizado em 2017 e 2018, e enrolaram para que não acontecesse no ano de eleição a deputado federal, para deixar para o último ano para falar que foi o Executivo que conquistou tudo. O Chanel até parece Secretário de Desenvolvimento, pois foi o único que se importou com as pequenas e microempresas da cidade, foi ele que se importou em fazer o retorno do imposto da venda dos terrenos para benefício do desenvolvimento. A própria CIP fomos enganados, era investimento e não custeio como está hoje. Os empresários foram enganados, pois fomos naquele momento fazer a defesa, fomos sacrificados, não fez diferença. Fomos enganados os investimentos que eram para ter sido realizados em bairros e nos distritos só estão acontecendo agora nas vésperas de eleição. Só pensam eleição, não pensam no bem estar econômico e social da cidade. Tudo que está acontecendo de bom na cidade hoje é graças a esta Câmara e a deputados que estão empenhados em trazer benefícios para nossa cidade”, desabafou. 
Declarando que irá travar a pauta, o vereador Nasser (Rede) tentou também chamar outros vereadores à responsabilidade. “Quando eu disse que os vereadores iriam trancar a pauta, é porque eu não concordo que os vereadores estejam aqui para votar apenas sim ou não. É o problema da ingratidão. O vereador conseguiu veículos para instituições, desceram o porrete no vereador e também quando eu consegui uma emenda de R$ 100 mil para um postinho no Jardim Progresso, ficou dois anos para fazer e acredito que até o hoje não conseguiram gastar. O presidente Tota conseguir uma verba do mamógrafo, veio o aparelho e o aparelho continua mofando até hoje lá. A culpa é da administração anterior, mas e esta que está há 6 anos no governo? Isso é correto? Até quando a Câmara servirá de fantoche, ficará sendo achincalhada com as pessoas dizendo que fazemos tudo que o prefeito quer? Venho falando isso há 6 anos e meio, se tivessem me ouvido lá traz a cidade não estaria nesta lástima que se encontra, com R$ 160 milhões de dívidas por enquanto. Nós não podemos servir de fantoche do prefeito, não fomos eleitos para isso. O vereador Chanel nessa demanda da abertura da estrada, cadê o prefeito para meter a caneta? Então eu convoco os vereadores para que assumam os seus postos, segurem as rédeas. Falta ainda um ano e meio para acabar este mandato que o povo concedeu à reeleição do prefeito, e em um ano e meio talvez a gente consiga segurar um pouco da água que foi embora que corre o rio afora. Portanto, se o prefeito não respeitar a população, não respeitar os servidores, e principalmente a população, além dos vereadores que são os representantes legítimos do povo, os vereadores trancarão, sim, a pauta, para ele saber que aqui tem respeito”, finalizou. 
Prova disso foi o pedido de vistas frente a mais um empréstimo que o prefeito queria celebrar, no valor de quase R$ 500 mil. Não foi votado e se seguir o trâmite regimental, pode demorar até 60 dias para ser recolocado em pauta.  


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