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Bebedouro está apta a buscar Certificado Município VerdeAzul

23 de julho
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Ao contrário do que diz o site da Prefeitura, município não recebeu o reconhecimento como Município VerdeAzul. Bebedouro foi apenas qualificada a buscar reconhecimento ambiental, bem diferente de já ter conseguido o selo

“A mentira tem pernas curtas”, diz o ditado popular. Alardeada pela imprensa aliada ao prefeito e também no site da Prefeitura, a notícia de que Bebedouro foi reconhecida como Município VerdeAzul foi tratada como um grande feito do prefeito Fernando Galvão (DEM), mas a verdade não é bem assim. Um passo importante foi dado rumo ao reconhecimento da cidade para a obtenção do certificado, mas o certificado em si, concedido apenas no final do ano, ainda não foi conquistado e há um longo, caro e dificultoso caminho a ser trilhado. Além disso, a qualificação da cidade, habilitando-a a buscar o selo, se deu mais por conta de a cidade participar da elaboração das novas diretrizes do Programa (que valem até 2028), ou seja, juntamente com outras cidades, ajudou a definir as novas regras de classificação, e consequentemente, se tornou apta a disputar o selo, conforme o coordenador estadual do programa Verde Azul, José Walter Figueiredo Silva, disse em entrevista ao O Jornal na manhã da quarta-feira (17). 
Mas como tudo são festas, fotos e “muito barulho por nada”, o fato de a cidade se tornar apta a buscar a certificação já foi motivo de distorção dos fatos por parte da Prefeitura. Em notícia publicada na sexta-feira (12), o site da Prefeitura informava em título “Bebedouro recebe reconhecimento como Município Verde Azul”, e em reportagem, o seguinte texto, na íntegra. “A Prefeitura de Bebedouro, por meio do Departamento Municipal de Meio Ambiente, recebeu o reconhecimento como Município Verde Azul. A cerimônia de recebimento da qualificação foi realizada na quinta-feira (11/07), na USP de Bauru. O prefeito, Fernando Galvão, esteve no evento e enfatizou que pela primeira vez na história o município recebe esse reconhecimento. "Na presença do secretário de Meio Ambiente do Estado, Marcos Rodrigues Penido e do coordenador estadual do programa Verde Azul, José Walter Figueiredo Silva, Bebedouro conquista mais um marco na área ambiental, abrindo grandes oportunidades para novos investimentos", afirma o prefeito.”
A notícia realmente abre grandes oportunidades para a cidade, mas o fato, para se tornar concreto, ainda depende de um longo, caro e difícil caminho a ser trilhado, com pendências altas a serem resolvidas até a obtenção do Certificado de Município VerdeAzul. Questões relativas a coleta seletiva e destinação de lixo e tratamento de esgoto, por exemplo, ainda pensam contra o município, apesar de ações pontuais já começarem a ser feitas. Além disso, por pressão do Ministério Público, há TACs (Termo de Ajustamento de Conduta), que até hoje foram esquecidos e que precisam ser cumpridos, caso a cidade realmente queira pleitear a certificação, que é bem diferente da qualificação recebida por Bebedouro. 
O coordenador estadual do programa Verde Azul, José Walter Figueiredo Silva, em visita a Bebedouro para a Oficina VerdeAzul, ocorrida na quarta-feira (17), na Associação dos Engenheiros e Arquitetos, conversou com nossa equipe sobre o programa e a qualificação da cidade a buscar o certificado. 
Na ocasião, Bebedouro recebeu os técnicos do Programa Município VerdeAzul (PMVA), da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA), para a oficina de capacitação voltada para as cidades que integram a bacia hidrográfica do Pardo–Sapucaí. No total, representantes de 57 municípios foram treinados com o objetivo de promover ações em suas localidades nas diretivas arborização urbana, resíduos sólidos e esgoto doméstico. Interlocutores de São José do Rio Preto, Botucatu, Novo Horizonte, Pirangi e Lençóis Paulista, convidados pelo PMVA, apresentaram casos bem sucedidos em seus municípios dentro dos temas selecionados. “Os presentes terão contato com “Boas Ideias” construídas em função do PMVA. A capacitação quer motivar os participantes para reta final, antes do ranking anual”, explicou Figueredo Silva.
Para o O Jornal, ele explicou um pouco como funciona o Programa. “O Programa VerdeAzul consiste de várias situações. Uma capacitação que é direta, aula, e já passamos dessa fase. Geralmente é no primeiro e segundo ano de um governo municipal. No terceiro ano o governo municipal traz exemplos do que foi feito em suas cidades, boas ideias aplicadas em outras cidades para os municípios debaterem, como está sendo feito hoje nesta oficina. Botucatu, por exemplo, teve uma boa ideia para cuidar dos animais de rua. Trazemos para o município, para avaliarem se o problema de Botucatu, por exemplo, é semelhante ao de Bebedouro, e eles podem copiar essa boa ideia, cada um com a sua realidade. Depois o município vai comunicar ao Estado se ele efetuou essa ação, como ele executou essa ação, e vai apontar os resultados. As ideias são muitas, imagina 648 municípios tendo ideias, e tudo isso vale nota”, disse. 
E continuou citando diretamente o caso de Bebedouro, cujo um dos problemas é a falta de esgoto 100% tratado, e a qualificação da cidade para a busca pela certificação. “O Programa VerdeAzul é constituído de 85 tarefas, 10 diretivas, cada diretiva tem seis ou sete tarefas que dá um conjunto de 85 tarefas. Quem governou Bebedouro nos últimos 30 ou 40 anos? Foram bom governantes? Se não foram, deixaram muito para o atual prefeito fazer. Se não deixaram muito, foram bons. Daí esse atual governo terá que fazer coisas para melhorar para os próximos 30 ou 40 anos. O espectro do VerdeAzul é de 60 a 80 anos, 30 a 40 anos. Vamos falar de um problema pontual de Bebedouro, que é o esgoto. Os últimos 30 ou 40 anos, os administradores não olharam para o esgoto. Mas o Programa VerdeAzul não olha só para o esgoto, ele olha para 10 coisas diferentes, para o lixo, para o esgoto, para biodiversidade, para arborização urbana. Esgoto é uma parte”, relatou.


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