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Sindicato propõe R$ 250 de abono salarial em assembleia

24 de fevereiro
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Prefeito usa “artimanha” para esvaziar assembleia, mas mesmo assim sindicato consegue montar comissão própria que irá propor mudanças no estatuto que não “massacrem” o funcionalismo

Na noite da terça-feira (21), foi realizada na sede do Sindicato dos Funcionários Municipais a segunda assembleia para discutir as mudanças no estatuto propostas pelo prefeito Fernando Galvão (DEM). Além disso, estava na pauta de discussão o aumento salarial que a categoria proporia por conta do dissídio, que precisa ocorrer até 31 de março. 
Carros de som por toda a cidade chamaram os funcionários municipais a participar da assembleia, que desta vez deu menos público que a anterior. A explicação para o esvaziamento pode estar no fato de o prefeito ter convocado os professores da rede municipal para uma reunião em todas as escolas da cidade, e esta convocação impediu que eles participassem da assembleia. “O prefeito fez convocação para os professores comparecerem às escolas para uma reunião no mesmo dia e horário da assembleia, que foi marcada com 3 dias de antecedência conforme combinado. O prefeito teve 3 dias para trabalhar isso”, disse Lourival Basílio em entrevista ao O Jornal após a assembleia, referindo-se a uma manobra, que posteriormente o presidente chama de “artimanha”, que o prefeito pode ter feito.  
“Mesmo com tudo isso, o balanço da assembleia foi positivo, pois alguns servidores que não vieram da outra vez compareceram nesta, apesar das artimanhas do prefeito em retirar os professores desta reunião. Mas conseguimos montar uma comissão, iremos estudar o estatuto e apresentar para a comissão formada pelo prefeito uma minuta que realmente o servidor quer que seja aprovada na Câmara”, disse o presidente. 
A formação de uma comissão própria, montada com funcionários de carreira que se dispuseram a participar e não por indicação, poderia estender por um tempo maior a discussão, mas o presidente disse que tudo transcorrerá no tempo previsto. “Como a minuta já está completa, vamos ter apenas que apenas refazê-la, vamos sentar com a nossa comissão e ver o tempo que eles têm disponível para o estudo e isso será feito o mais rápido possível. Acredito que até o mês de março estaremos com tudo finalizado para encaminhar para a comissão do prefeito. Vamos acatar as reivindicações dos servidores, montar a minuta e quando ela estiver pronta vamos fazer uma nova assembleia, expor para o trabalhador e ver se é realmente isso que ele quer. Vamos discutir ponto a ponto e encaminhar para a Prefeitura”, de acordo com Basílio.
Outro ponto destacado pelo presidente foi a fala de alguns durante uma sessão da Câmara de que havia outras minutas “circulando” e que os funcionários tinham que ficar atentos para não serem manipulados, dando a entender que alguém poderia estar inventando um fato que não teria tal tamanho. “Não há outra minuta como foi dito na Câmara. A informação de que havia 3 ou 4 minutas é mentirosa, pois não há a possibilidade de o prefeito soltar 3 ou 4 minutas, foi feita apenas uma e é essa que nós temos. A comissão que a Câmara cogita montar no mínimo deveria ter trabalhadores da Câmara também, e eu não ouvi o vereador Chanel dizer em nenhum momento que haverá trabalhadores de lá na comissão”, disse Basílio, citando a ideia do vereador Chanel de montar uma comissão na Câmara para analisarem as mudanças.  
Lembrado de que o prefeito têm a maioria na Câmara e que isso poderia fazer com que apenas vereadores aliados fossem eleitos para tal comissão, Basílio foi taxativo. “Enxergamos a maioria dos vereadores ser do prefeito da mesma forma que enxergamos a votação do pedido de Audiência Pública feito pelo vereador Nasser: eles foram omissos, a mando do patrão, e infelizmente não têm o mínimo de conhecimento técnico ou de estatuto para saber que essa minuta está lesando o trabalhador. Só espero que no dia da votação eles tenham tempo para realmente estudar essa minuta, consultar o jurídico da Câmara e ter a certeza do que nós estamos falando até hoje, que essa minuta é um massacre para o trabalhador de Bebedouro”, enfatizou.  

Reajuste
“Vamos pedir R$ 250 de abono incorporado após um ano. Infelizmente a alegação do prefeito é de que ele não pode dar um aumento por conta da folha de pagamento. Sabemos que o abono, a princípio, não lesa a folha por conta dos impostos e há a possibilidade de o prefeito mexer no Orçamento e dar o abono ao trabalhador”, disse Basílio.  
Lembrado de que no ano passado o prefeito deu apenas R$ 70 de abono, Basílio foi questionado se acreditaria que este ano seria diferente, apesar de o Diretor de Gabinete Paulo Sérgio Garcia Sanchez já ter antecipado que neste ano será impossível conceder reajuste à categoria. “A esperança é a última que morre, e eu tenho esperança de isso se resolver”, disse.

Ação contra a comissão montada pela Prefeitura
O Sindicato dos Funcionários Municipais entrou com uma ação na Justiça para que a vaga do sindicato na comissão montada pela Prefeitura seja preenchida por alguém escolhido pela própria instituição, e não por indicação do prefeito como teria sido a escolha do vice-presidente Amarildo Pinto. O caso já foi amplamente discutido, pois o presidente entende que ele mesmo deveria fazer parte da comissão e não um indicado pelo prefeito. Outro ponto também discutido em assembleia foi a participação de funcionários que já fazem parte de outras comissões.
Ao final da assembleia, entrevistamos o advogado do sindicato, Fernando Melo, que falou sobre o assunto. 
“O sindicato entrou com uma ação para que o próprio sindicato indique alguém da diretoria para a comissão, e também para que funcionários que não participem de outras comissões fossem indicados, e sim só os servidores mesmo. Que essa comissão seja formada por presidente, secretário, que sejam feitas atas das reuniões, pois até agora nada disso nos foi apresentado. Queremos que as coisas sejam feitas de forma mais transparente, pois o que está sendo discutido são os direitos sociais e econômicos do trabalhador e isso é muito importante. Isso precisa ser feito antes de ser apresentado ao Legislativo. Com a aprovação desse novo estatuto, leis que foram promulgadas lá atrás vão ser revogadas, e não queremos que ocorra risco de algum prejuízo ao trabalhador. Embora o profissional que está na comissão seja da diretoria do sindicato e preste sempre excelentes serviços à categoria, ele não têm o conhecimento necessário nessa área para estar na comissão por indicação do sindicato. Quem sabe disso melhor é o presidente Basílio, e o indicado deveria ter sido ele”, disse o advogado Fernando Melo.


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