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Moradores da área da Zona Azul reclamam de excesso de multas e desrespeito

09 de setembro
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Munícipes que residem há anos na área em que hoje está situada a Zona Azul relatam problemas com excesso de multas, bate-boca e até possíveis agressões, e aguardam posicionamento da Prefeitura

Criada para regularizar o estacionamento no Centro da cidade, a Zona Azul ainda é “nebulosa” para muitos munícipes. Além de não ter suas contas abertas, de nem todas as semanas estarem disponibilizados os valores arrecadados com o estacionamento, conforme relatamos em diversas reportagens, agora os moradores da área em que está situada a Zona Azul relatam problemas com excesso de multas e possíveis agressões e bate-boca entre a Guarda e moradores, muitos idosos. 
A equipe de O Jornal foi procurada por Bruno de Oliveira, morador da Rua Francisco Inácio, entre as ruas XV de Novembro e Coronel Conrado Caldeira. Ele relatou à nossa reportagem fatos que ocorreram com os moradores da área e as providências que tomaram para buscar uma solução para o caso, porém, até agora, sem sucesso. 
“A Guarda resolveu multar o morador que está colocando o carro em frente à sua casa, o comerciante que coloca o carro em frente ao seu estabelecimento. O pessoal da doceria tem que colocar cartão, tem pessoas que ficam cobrando para que o cartão de estacionamento seja colocado. Uma vizinha que mora há muitos anos no local, a Rosângela, teve um problema, pois a irmã dela tomou algumas multas, ela foi apenas descarregar algumas coisas na casa da irmã e o guarda já veio implicar com ela. Moramos ali e não podemos parar em frente à nossa casa, pois a Guarda implica e multa os moradores. Paramos em frente ao nosso portão, mas só se for na guia rebaixada, na garagem, porém parar em frente à nossa casa com a guia em nível normal, não pode. Mas pela lei de trânsito não poderia parar em frente à guia rebaixada, então é complicado. A Guarda Municipal tem autoridade para me fazer parar em dia rebaixada, então fico sem entender. O problema é que chegam batendo boca, fiquei sabendo de situações que eles estão agredindo pessoas, batendo boca com pessoas de idade, com qualquer pessoa que parar ali, e estão ampliando a Zona Azul. Não temos nenhuma informação sobre a Zona Azul. Falei para minha mãe conversar com o diretor Archibaldo e ele disse que não pode ser feito nada, pois foi implantada a Zona Azul e teria que respeitar, que eles iriam tentar fazer um adesivo para quem fosse morador, mas nada foi resolvido. Minha mãe tentou falar com a Sebastiana (Tavares, ex-vereadora), mas ela enrolou, enrolou, e não respondeu nada. Falei também com o vereador Rogério Mazzonetto, sabia que não ia resolver, mas falei para ver o que aconteceria. Ele deu desculpa, mas não uma solução, então estamos em situação complicada. Minha mãe falou com o vereador Nasser, que orientou que ela fizesse um abaixo-assinado com os vizinhos para tentar fazer alguma coisa. A Zona Azul já tem alguns anos em Bebedouro e nunca tivemos problema, mas agora estamos tendo. Está acontecendo ampliação da Zona Azul, daqui uns dias eu vou ter que parar meu carro no lago para poder almoçar na minha casa. Ficamos de mãos atadas”, relatou Bruno de Oliveira. 

Zona Azul na Câmara
Na sessão da Câmara ocorrida em 17 de junho, os vereadores Nasser (Rede) e José Baptista de Carvalho Neto, o Chanel (SD), discursaram sobre problemas da Zona Azul que estariam acontecendo, como a falta de pontos de venda dos cartões de estacionamento e as multas que estariam sendo aplicadas em excesso mesmo para quem sai para procurar um local de venda de cartões e, não encontrando, quando retorna já foi multado. Naquele dia, eles comentaram que poderiam propor uma alteração no sistema de estacionamento rotativo, mas até o momento nenhum projeto foi apresentado.
O primeiro a levantar o assunto na ocasião foi Nasser. “O primeiro ponto é a falta de pessoas vendendo cartão da Zona Azul. Em alguns setores da Zona Azul, falta gente vendendo, e antigamente haviam meninos que vendiam, agora não é mais assim. Daí uma pessoa do Fórum, que é funcionário do município, encontrou comigo na semana passada e disse que andou quatro quarteirões para conseguir comprar o cartão. Na hora que ele voltou o guarda municipal estava fazendo a multa, uma autuação pois ele estava há mais de 15 minutos estacionado sem o cartão. Isso não é correto e precisa ser revisto pelo Departamento de Tráfego, porque cobrar a Zona Azul ele tem que cobrar, mas as pessoas querem pagar o cartão e ficar dentro da legalidade, mas quando encontram, já são autuados por não terem o cartão. Isso vem acontecendo normalmente e me relataram”, disse.
Chanel falou em seguida, citando o alto número de multas aplicadas e dando o exemplo da cidade de Barretos, que mediante justificativa retiraria os 4 pontos na carteira de habilitação de quem é autuado, restando pagar apenas um proporcional sobre o tempo estacionado irregularmente. “Estamos passando um momento difícil e o comércio é o primeiro que sente. Sobre a Zona Azul, o que está me preocupando mais é que estão coordenando um grupo novo e que vai ser colocado no centro da cidade para fazer fiscalização. Nada contra a fiscalização, ela é boa e necessária para conter abusos que muitas vezes cometemos, só que o que está acontecendo aqui na fiscalização da Zona Azul, as pessoas com 15 minutos, ou quando não acha o cartão, ou quando estava fazendo compras que as vezes excede o tempo, quando chega lá a multa está no para- brisa. Eu estive no centro da cidade conversando com alguns comerciantes que estavam indignados com a quantidade de fiscalização que está tendo, isso o comerciante está vendo de que forma? Estão espantando o pouco das pessoas que vem ao comércio de Bebedouro para comprar, principalmente quando é placa de fora. Tive uma ligação de uma pessoa de Terra Roxa que veio aqui para comprar uma geladeira, entrou numa loja, em outra, esqueceu do tempo, e quando voltou a multa já estava no para-brisa. Ele falou ‘poxa, vim prestigiar o comércio de vocês, agora não volto mais, vou pra Barretos. Se acontece isso em Barretos eu consigo pagar no local que eles indicam, a pessoa procura até o fechamento do dia ou em 24h, você paga uma multa como se você tivesse utilizado o estacionamento pelo dia todo. Vamos supor que o comércio fique 10 horas aberto, você pagaria em torno de R$ 10 ou R$ 15 como se você tivesse estacionado dia todo e não receberia multa. Ele disse que o problema não é só uma multa, que não sei informar de quanto é, mas os 4 pontos na carteira. Ele estava indignado. E então vou pedir juntamente com os colegas um pedido de alteração da lei para dar condições para que a Zona Azul mude. A Zona Azul não foi feita para pagar a dívida do prefeito municipal, ela foi feita apenas para administrar o estacionamento rotativo do município. Então a pessoa recebe uma punição e paga pelo tempo que ela utilizou, mas consegue apenas regularizar, o município não está perdendo, porque você cobra R$ 1 a hora e a pessoa vai lá e paga R$ 10 que seja, o município não perde. A pessoa deve também esclarecer os motivos pelos quais estacionou sem cartão e fica sem os 4 pontos. Quem falou isso foi um empresário indignado, que me perguntou se a Zona Azul era para pagar o déficit que o prefeito está deixando na Prefeitura. Acho que a gente tem que ter o bom senso de levar isso às associações do comércio e ao prefeito, para que ele possa mudar a lei e evitar prejuízos ao comércio”, finalizou. 
Porém, até o momento, nenhum projeto foi apresentado para que seja revisto o sistema da Zona Azul. 

Destinação 
A Zona Azul foi criada pelo então prefeito João Batista Bianchini, o Italiano, em junho de 2011, com a finalidade regularizar o estacionamento nas ruas do Centro da cidade. Começou com algumas ruas e foi ampliando, até chegar ao formato que está hoje. De acordo com o projeto de lei, em seu artigo 13, “Na gestão própria do Município os valores arrecadados com a cobrança do preço público, para estacionamento rotativo na ZONA AZUL, serão recolhidos integralmente ao FUMTRAN – Fundo Municipal do Trânsito”. Entretanto, já foi falado em outras oportunidade que o valor arrecadado seria para custear os funcionários da Zona Azul, porém especificamente nenhuma declaração oficial foi feita sobre a destinação dos recursos. 


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