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Mais peças são retiradas e aumentam os boatos sobre possível fechamento do Museu

20 de maro
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Mesmo após dizer que iria manter o museu em funcionamento, Prefeitura permite que parte significativa do acervo seja retirada e demora para apresentar plano de reabertura

Na manhã da terça-feira (14), uma movimentação de caminhões e interdições de vias chamou a atenção dos moradores do entorno da área onde fica o Museu Eduardo Matarazzo. O local, geralmente pacato, teve vias interditadas e contou com a chegada de caminhões e guindastes, que estavam lá para retirar duas locomotivas do acervo do museu. O rumo das peças não pôde ser descoberto e nem o motivo da retirada, já que a mantenedora do acervo, Patrícia Matarazzo, disse, ainda na manhã da terça-feira, que “não fala com o O Jornal”. 
Nas redes sociais a atitude da mantenedora em retirar peças foi vista como prova evidente de que o museu será fechado.
A retirada das peças foi mais um episódio da longa “novela” desde que a mantenedora disse que fecharia o museu por falta de incentivo, em dezembro do ano passado. Na época, Patrícia usou suas redes sociais para se manifestar a respeito, emitindo seguidas notas contraditórias sobre o assunto. A primeira nota publicada dizia que não queria politizar o assunto e que era uma questão financeira “É com tristeza, porém, com plena consciência de missão cumprida, que o Museu Eduardo Matarazzo comunica, reabrirá, no dia 17 de dezembro, suas portas, após 3 meses de reforma. Entretanto, encerrará definitivamente suas atividades no dia 22 de janeiro de 2017. São quase 49 anos de história, luta e dedicação para com a cidade de Bebedouro, que se encerram por não termos mais recursos financeiros para continuar mantendo a instituição em funcionamento. É de grande importância citar que esta decisão não é política, muito menos tem o objetivo de criticar a gestão atual. Fechamos por não termos mais como arcar financeiramente com o Museu”, escreveu Patrícia no dia 13 de dezembro. 
Só que depois ela voltou atrás ao saber que alguns vereadores questionaram um pedido de ampliação de cessão de uso do prédio do museu, que passaria a ser de 50 anos, mas que, segundo os vereadores, seria um pedido sem sentido, já que faltaria ainda 27 anos para expirar o prazo anteriormente cedido. 
A surpresa com a retirada das peças foi justamente porque, no dia 21 de janeiro, um dia após a data anunciada como definitiva para o fechamento do museu, o jornal Gazeta de Bebedouro destacou em capa que “Prefeitura assume o Museu Eduardo A. Matarazzo”. Através do Diretor de Desenvolvimento, Lucas Seren, foi dito que “a administração ficaria por conta da Prefeitura, que ainda não teria data para reabri-lo”. 
“Como existe trâmite jurídico, por conta do acervo, e decreto que dá concessão de uso daquele espaço à Patrícia Matarazzo, então, há trâmite legal que precisa ser reavaliado”, disse Serem à Gazeta na época, talvez se entender direito o que realmente estava dizendo ou assumindo. A reportagem, aliás, de concreto mesmo só disse que a gestão passaria para a Prefeitura, sem que a própria Prefeitura efetivamente apresentasse um plano de ação traçado, plausível e executável frente à realidade financeira do país e da cidade. Ou seja, a afirmação de que a gestão passaria para a Prefeitura aparentou ter sido feita apenas para conter alguma comoção que pudesse gerar a notícia do fechamento, e não que os assessores do prefeito Fernando Galvão (DEM), se debruçaram por dias a fio buscando uma solução razoável para o caso. Aparentou ter sido feita apenas “para inglês ver”.   
Seria maravilhoso se a decisão tivesse sido tomada após estudos, mas a própria Gazeta de Bebedouro revelou, ao entrevistar o diretor Lucas Seren na edição seguinte, em 24 de janeiro, que agora é que eles foram correr para realizar estudos. “Nós vamos nos reunir na sexta-feira (27 de janeiro), para tratar de como será a continuidade do Museu, como ficará a responsabilidade de cada uma das partes, não tem nada definido”, confirmou o diretor Lucas Seren à Gazeta de Bebedouro.
Se não havia nada definido, como o diretor anunciou e a Gazeta publicou que a Prefeitura ia assumir o Museu Eduardo Matarazzo? Como o prefeito e o diretor tomam uma decisão dessa magnitude e tornam público sem nada estar definido? Na reportagem, a própria Gazeta de Bebedouro escreveu: “Mesmo sem respostas exatas sobre a gestão do Museu, o diretor [Seren] garante: ‘O que é certo é que a Prefeitura assumirá o espaço do Museu, e faremos um estudo até sexta-feira (27), quando será discutido com a Patrícia a condução do espaço, daqui para frente’”. A irresponsabilidade estava clara, estampada em página de jornal.  
Sobre a reunião que Seren disse que aconteceria “nos próximos dias”, nada mais foi publicado pela Gazeta de Bebedouro e nenhuma nota oficial pela Prefeitura foi divulgada. O assunto simplesmente caiu no esquecimento. Enquanto isso, há relatos de que várias peças estariam sendo retiradas do prédio, provavelmente comprometendo o acervo tão rico e tão falado. Nenhum estudo foi apresentado pela Prefeitura no período, nenhum relatório sobre o acervo foi apresentado. E na manhã de terça-feira (14), caminhões e um guindaste levaram pelo menos duas grandes peças do museu. 
Utilizando suas redes sociais, Patrícia Matarazzo falou sobre a retirada das peças na manhã da quarta-feira (15). 
“Comunico a todos que retirei as locomotivas do museu porque pertenciam a usina de minha família!!! O prefeito nada tem com isso e é golpe muito baixo usar isto contra ele. Bebedouro nunca me valorizou e este prefeito me ajudou mais do que os 5 anteriores. Não admito que minhas atitudes sejam usadas politicamente”.
Como o fato repercutiu negativamente nas redes sociais e pelo menos até a noite da terça-feira (14), nenhum assessor do prefeito apareceu para explicar o caso, trataram de colocar panos quentes. Muitas pessoas comentaram a postagem questionando a retirada da peças e o possível fechamento do Museu.
Diante de mais uma polêmica de grandes proporções, às pressas a Prefeitura reuniu a imprensa para fazer uma homenagem a Patrícia Matarazzo e para anunciar que, junto com o Grupo Esplendor, estaria assumindo o museu.

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