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“O dinheiro tem perna, mas ele não vem para Bebedouro”

24 de maro
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Corretor Alfredo Tavares questionou na Audiência Pública sobre o novo Plano Diretor o quanto o plano “trava” o crescimento da cidade e a ineficiência da Prefeitura e do SAAEB para liberar certidões

Aconteceu na terça-feira (22), mais uma Audiência Pública para discutir o novo Plano Diretor de Bebedouro e, para desespero da coordenadora Ângela Maria Macuco do Prado Brunelli, quanto mais se discute, mais se encontra pontos controversos no plano que ela, apesar de dizer que está aberta à sugestões, insiste em manter do jeito dela, com limitações para o que ela não aprecia tanto.
Na primeira parte da Audiência os vereadores fizeram perguntas e a diretora de Planejamento respondia defendendo o seu ponto de vista e concordando com os vereadores quando eles concordavam com suas teses.
Se a diretora Brunelli com facilidade respondeu as perguntas dos vereadores, passou recibo que ficou nervosa quando o corretor Alfredo Tavares pediu a palavra e afirmou que Bebedouro perde investimentos porque o Plano Diretor antigo e também o novo que está sendo proposto, travam a cidade.
Quer tirar a diretora Ângela Maria Macuco do Prado Brunelli do sério é só dizer que o Plano Diretor trava o desenvolvimento da cidade, pois embora isso tenha um fundo de verdade (já que carrega restrições que não são aplicadas em outras cidades), a diretora bate o pé e afirma que não tem travamento algum.
“Um grupo de investidores procura áreas em vários municípios e os empreendimentos geram 500 empregos diretos na construção. Isso é bom para Bebedouro? [mostrou imagens dos empreendimentos] Sabe onde vai ser construído isso? Em qualquer cidade da região, porque nosso Plano Diretor não permite. É tudo muito travado. O dinheiro tem perna, mas ele não vem para Bebedouro”, afirmou o corretor Alfredo Tavares.
Conforme ele falava, o desconforto dos vereadores governistas e assessores da Prefeitura era enorme, mas eles nem imaginavam o que viria a seguir.
“Para você entrar com um projeto tem que pedir uma certidão de uso e ocupação de solo. A nossa Prefeitura está muito veloz, demora de 4 a 5 meses, quando também não pede a certidão do SAAEB que demora isso ou mais. Um dos princípios da legislação publica é o da eficiência e no nosso Plano Diretor atual ou nesse outro não tem isso”, afirmou Alfredo Tavares.
Quase 6 meses para se conseguir uma certidão? A diretora Brunelli afirmou que não acreditava nisso, que nos 3 meses em que ela estava à frente do departamento isso não acontecia, mas o corretor afirmou que podia provar o que estava dizendo.
E Alfredo Tavares mexeu com os brios da turma da Prefeitura ao afirmar: “Aqui temos que pedir benção para alguém para aprovar uma coisa que você tem direito. O que está escrito pode ser feito. Não pode depender de um grupo analisar um projeto para aprovar ou não. Está escrito que pode, então faz. O que está na lei pode ser feito independentemente da vontade de quem quer que seja. Infelizmente aqui em Bebedouro você depende da boa vontade do funcionário público. Depende da vontade alguém para ver se vai aprovar”.
Diante de uma diretora como Ângela Brunelli, visivelmente incomodada e achando um absurdo tudo aquilo que estava sendo dito, o vereador Fernando Piffer (que nem disfarça que está a serviço do Governo Galvão desde que recebeu o controle da Saúde de Bebedouro), rebateu o corretor afirmando que “a Audiência é do Plano Diretor e não do processo de trabalho do servidor público”. Inspiradíssimo, Alfredo Tavares devolveu: “Mas é o Plano Diretor que determina isso.”
E sem condições de rebatê-lo, Piffer calou-se e Ângela Brunelli, na sua costumeira maneira agressiva de tirar a credibilidade de quem a questiona, assumiu a defesa.
“O senhor contesta a certidão de uso de ocupação de solo?”, afirmou Ângela Brunelli.
“Não estou questionando, estou dizendo que é demorado”, respondeu Alfredo Tavares.
A diretora afirmou que a certidão não demorava tanto e o corretor a questionou: “E se eu provar que não é?”.
Sem poder avançar como queria, a diretora de Planejamento apelou: “Posso dizer por menos de 3 meses. Se a documentação vier correta. O senhor fala que não precisa de certidão, que o funcionário não é eficiente. Certidão de uso de ocupação de solo, o senhor como empreendedor deve saber. Explique. Para que serve?”.
Qual a necessidade de uma pessoa comum precisar saber de minúcias ou significado de uma certidão? Nenhum, mas sem argumento melhor, a diretora Ângela Maria Macuco do Prado Brunelli optou pela tática de humilhar quem a questiona na frente dos seus alunos, que ela faz questão de levar nas audiências para ver o quanto ela é uma profissional que sabe tudo.
Depois de conseguiu deixar o corretor constrangido ao não explicar palavra por palavra o conceito que a diretora sabia de trás para a frente, a diretora Brunelli tentou atenuar e depois apelou novamente: “Não tem cabimento demorar 6 meses. Se estiver esse problema me procure. Isso não é questão de Plano Diretor. Quando você fala em trava, que trava? O senhor fala que nossos funcionários não são eficientes e nós temos um sindicalista aqui que não vai gostar de nada disso.”
Apelo feio, tentando jogar os funcionários contra o corretor. Em nenhum momento o corretor faltou com respeito aos funcionários, mas hábil na arte de encurralar seus questionadores, a diretora o encurralou e Tavares se desculpou: “Se deixei essa impressão, não era essa. Disse que o sistema é travado”.
E depois que Brunelli fez o serviço, o diretor Gilmar Feltrim foi além: “Eu sempre o atendi pessoalmente. Não teve certidão que demorou 4 meses. Aqui não é lugar para sensacionalismo”.
Sensacionalismo? Afirmar que o serviço público deve ter mais eficiência é fazer sensacionalismo? Não é à toa que este governo está do jeito que está, é muita prepotência para poucos metros quadrados.
Entendendo a forma como os diretores do prefeito Galvão tratam quem ousa questionar, o corretor Alfredo Tavares disse: “O debate aqui não é produtivo”. E aí foi a vez do vereador Fernando Piffer cutucar o empresário “Aqui é o sexto debate, podemos fazer emenda, o senhor teve outras oportunidades.”
Ângela Brunelli completou: “A minuta está disponível na internet. O senhor nunca encaminhou nenhuma solicitação. Vários empresários encaminharam, o senhor nunca encaminhou. O senhor me desculpe, mas isso é intempestivo, está fora do tempo. Fizemos audiências, deixamos o material disponível, colocamos um canal aberto e o senhor nunca nos procurou”.
Alfredo Tavares rebateu: “Talvez não tenha chegado as suas mãos”.
Ângela Brunelli respondeu: “Então envie o protocolo ou o e-mail. Essa audiência realmente é difícil pois qualquer apontamento voltamos a estaca zero para atender uma pessoa.”
Aí está o motivo da diretora Ângela Brunelli não querer discutir, pois a cada momento vem à tona um aspecto do Plano Diretor que restringe investimentos e ela não gosta que o trabalho dela seja questionado, pois não quer alterá-lo. Por mais que ela disfarce, suas palavras deixam bem claro isso.
Quem acompanhou as reportagens os órgãos de imprensa que estão a serviço do prefeito, ficará com a impressão de que o corretor nem sequer esteve na Câmara.
Diante da falta de respeito ao munícipe Alfredo Tavares, o vereador Nasser afirmou: “Toda audiência de Plano Diretor acaba entrando num clima bastante tenso, participei de quase todas, temos que entender que as pessoas não nascem sabendo, muitas pessoas não dominam o assunto e essa condição tem que ser respeitada. É um projeto complexo. Temos que ter paciência, tolerância, ouvir opiniões.”

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