Entre em sua conta



Crie sua conta


Dados Pessoais

Endereço

Dados da Conta


Prefeito Fernando Galvão mente em depoimento ao juiz

20 de abril
000

Réu de Ação Civil Pública de Dano ao Erário em virtude de possível favorecimento a Gazeta de Bebedouro e a Voga Propaganda, empresas de Sarah Cristina Pacheco Cardoso, o prefeito Fernando Galvão Moura mentiu em vários momentos chegando ao cúmulo de afirmar que “todos os veículos são convidados” para participar dos eventos e ações da Prefeitura

Depois de todas as ações para adiamentos, os réus da Ação Civil Pública que o Ministério Público Estadual ingressou contra o prefeito Fernando Galvão Moura, a assessora de imprensa Heire Paula Montagner, a empresária Sarah Cristina Pacheco Cardoso e suas empresas Gazeta de Bebedouro e Voga Propaganda, finalmente puderam ser ouvidos pelo juiz Newton Fantoni Júnior.
O réu Fernando Galvão Moura, prefeito de Bebedouro, ao ser ouvido pelo juiz, contou uma série de inverdades tentando dar a entender que ele não tem nada a ver com as contratações promovidas pela Assessoria de Imprensa e que não houve favorecimento à Gazeta de Bebedouro, pois tudo é aberto para todos os órgãos de imprensa.
“Toda assessoria de imprensa tem um departamento próprio; toda e qualquer divulgação de natureza institucional é da responsabilidade do referido departamento; a Prefeitura tem uma série de departamentos e secretarias que encaminham as demandas para a assessoria de imprensa; o Prefeito não tem nenhuma intervenção”, teria afirmado o prefeito Fernando Galvão Moura segundo cópia do depoimento a que o O Jornal teve acesso.
A Assessoria de Imprensa não é um departamento, é apenas uma coordenadoria, tanto é que a responsável pelo setor, Heire Montagner, não é remunerada como diretora. Assim, logo de cara, o prefeito já mente, pois as atividades da Assessoria de Imprensa estão diretamente ligadas ao Gabinete do Prefeito, tanto é que a assessora de imprensa despacha regularmente com o prefeito e não dá nenhum passo significativo sem consultá-lo. Assim, o prefeito intervém constantemente e pessoas que já trabalharam ou trabalham no seu governo podem confirmar isso.
“Qualquer espécie de relacionamento mantido com veículos de imprensa é de responsabilidade da assessoria de imprensa, especialmente em relação à questão de divulgações institucionais; no tocante às contratações no setor, é a assessoria de imprensa que mantém os contatos na sua área, não havendo nenhum tipo de intervenção do Prefeito Municipal; quando é procurado para entrevistas, atende a todos os veículos de comunicação, mas a relação contratual ela fica restrita à assessoria de imprensa”, afirmou o prefeito Fernando Galvão em depoimento.
O prefeito Fernando Galvão, via Assessoria de Imprensa que solicita e-mail com os pedidos, várias vezes foi procurado para dar entrevistas ao O Jornal e nunca nos atendeu. Assim o prefeito mente ao afirmar que “atende a todos os veículos de comunicação” e mente ao afirmar que não tem “nenhuma intervenção do prefeito” [no departamento], pois essa intervenção já é disseminada com a exclusão do O Jornal nas apresentações, nos convites para eventos e nas entrevistas exclusivas ou coletivas. Para não restar nenhuma dúvida a esse respeito, nem os pagamentos devidos ao O Jornal, prestados ao governo Fernando Galvão, o prefeito autorizou que fossem pagos. Portanto, é nítido o favorecimento à Gazeta de Bebedouro e, em menor proporção, aos demais veículos de imprensa que na maioria das vezes só disseminam o que é conveniente ao prefeito.
O depoimento destaca: “Em relação a Heire Paula, foi convidada para ocupar cargo comissionado, tendo o depoente conhecimento que ela era colunista social; sabia que ela era colunista social em vários veículos, inclusive a Gazeta de Bebedouro e EPTV, além de outros veículos da cidade; tem conhecimento global do regime jurídico dos servidores públicos municipais de Bebedouro contido na Lei no 2693/97; tem ciência que neste ato normativo municipal existe vedações a servidores”.
Heire Montagner, ao ser convidada, era colunista social da EPTV? Desde quando a EPTV tem colunista social? É incrível como o prefeito Fernando Galvão Moura inventa histórias. De qualquer forma, ele admite que sabia do vínculo entre ela e a Gazeta de Bebedouro e nem sabendo disso teve a prudência de solicitar que, por conta do vínculo, nada fosse feito com a Gazeta de Bebedouro que não fosse feito a todos os veículos de comunicação da cidade. O prefeito ainda confessa que tem conhecimento do regime jurídico dos servidores públicos e que tem ciência de que existe vedações aos servidores e, dessa forma, mesmo ciente disso, os atos destacados pelo Ministério Público na Ação Civil Pública mostram que o prefeito não tomou os devidos cuidados e descumpriu o regime jurídico.
“Conhece Sarah Cristina, proprietária da Gazeta de Bebedouro; tem conhecimento de que ela era proprietária de uma agência de propaganda; tem conhecimento que essa empresa já teve sede em São Paulo e presta serviços em Bebedouro também”, afirma o prefeito Fernando Galvão em seu depoimento, confirmando sua ligação com Sarah Cristina Pacheco Cardoso e suas empresas Gazeta de Bebedouro e Voga Propaganda.
O depoimento do prefeito Fernando Galvão Moura ao juiz destaca ainda: “Todos os eventos e ações da Prefeitura Municipal, inclusive inaugurações, são abertos a toda imprensa, recebem ampla cobertura, todos os veículos são convidados para cobri-los; são eventos públicos, de amplo acesso”.
Todos os veículos são convidados para cobri-los? O O Jornal não é convidado e, assim, o prefeito Fernando Galvão Moura mentiu mais uma vez em seu depoimento ao juiz Newton Fantoni Júnior. Não dá para disfarçar o quanto houve favorecimento. O prefeito pode tentar mentir o quanto quiser, mas até as pedras em Bebedouro sabem como funciona o seu governo e o quanto o prefeito deixou claro que para os amigos, tudo, e para os que não são subservientes, nada, nem convite para licitação, nem pedido de orçamento, nem entrevistas, nem respostas aos questionamentos e nem sequer acesso a informação que deveria ser pública, como por exemplo, uma entrevista coletiva.
E a falta de verdade continua: “qualquer tipo de contratação é realizada pelo setor competente da Prefeitura, o mesmo ocorrendo com as contratações realizadas pela assessoria de imprensa, que não passam pelo Prefeito”. Não passa pelo prefeito? Segundo a lei, quem é o ordenador de despesas da Prefeitura de Bebedouro? Ter coragem de afirmar essas coisas na frente de um juiz é assustador.
E o depoimento finaliza com chave de ouro: “O prefeito recebe no gabinete ordens de quebra em relação aos pagamentos provenientes de diversos setores da Prefeitura... a solicitação de quebra de ordem cronológica vem do respectivo departamento para o gabinete; a assinatura da quebra da ordem cronológica é do Prefeito; reitera que são volumosos, especialmente em época de crise, os pedidos de quebra de ordem cronológica que chegaram ao gabinete provenientes dos variados departamentos, sendo impossível o controle minucioso pelo Prefeito Municipal”.
Os pedidos de quebra de ordem cronológica são volumosos? No período de 1 a 17 de abril, por exemplo, o site da Prefeitura de Bebedouro divulga que foram feitos 2 pedidos de quebra de ordem cronológica, o de no 18/2017 de 5 de abril, que beneficiou 9 empresas e o de no 19/2017 de 13 de abril, que beneficiou 8 empresas, sendo que a Rede Sol Fuel, distribuidora de combustíveis, foi beneficiada nas duas ocasiões. Em metade do mês, o prefeito autorizou 17 quebras de ordem cronológica. Isso é volumoso? Essa é a média da Prefeitura e, assim, o prefeito falta mais uma vez com a verdade, tentando se eximir da responsabilidade que é só dele.
O O Jornal espera que o juiz fique bem atento às mentiras proferidas pelo prefeito Fernando Galvão e por outros réus e que o promotor que representa o Ministério Público Estadual no caso, não deixe pedra sobre pedra e desminta todas as mentiras proferidas pelo prefeito para que a Justiça seja feita e esse caso de descarada tentativa de favorecimento tenha punição exemplar.


Deixe um comentário