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Pacientes denunciam novamente má qualidade em transporte na Saúde

05 de maio
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Veículos em péssimo estado e sem as devidas condições para transportar pacientes estariam sendo usados pela Prefeitura. Relato de paciente nas redes sociais causou espanto  

O assunto não é novo e sempre que surgem relatos novos o espanto é geral. Imagine viajar em um veículo sem cintos de segurança, com pneus carecas, em bancos sem estofamento ou com estofamento precário. Ao triste cenário, junte ter que fazer essa viagem para se tratar de alguma doença, e muitas vezes fazê-la com dor ou passando mal. Acrescente, ainda, ter que passar pelo tratamento, voltar debilitado e ainda ter que viajar novamente de volta para a casa no mesmo veículo, com todas as péssimas condições já elencadas. Pois esta é a rotina de quem depende do transporte fornecido para pacientes que tratam dos mais diversos males nas cidades da região.
Esta semana, o relato do marido de uma paciente que precisou dos serviços de transporte da Prefeitura causou espanto nas redes sociais bem no dia do aniversário da cidade, 3 de maio. A esposa teria ido acompanhar a mãe em um exame em Rio Preto. Vamos reproduzir o depoimento na íntegra, mas preservaremos o seu nome por motivos óbvios: o prefeito e seus assessores não costumam aceitar críticas. “Boa noite, amigos. Hoje um dia especial para nossa cidade de Bebedouro, 133 anos de idade. Mas para mim, hoje é um dia de total falta de respeito para todos os pacientes do SUS de Bebedouro. Hoje minha esposa A. foi para o AME de Rio Preto para acompanhar minha sogra em um exame médico, pois bem, foi em um veículo totalmente sem condições sequer de estar rodando, uma Iveco que mais parece uma carroça de tão dura que é. Isso sem contar a falta de cinto de segurança, a porta sem maçaneta interna não tendo como abrir por dentro. Ao voltar para Bebedouro, o melhor aconteceu: a tal da ambulância começou a fumaciar e minha esposa sozinha na parte de trás respirando muita fumaça, até que houve um barulho e o motorista parou na Tebe, porque outros motoristas que passavam pela tal ambulância gritavam para parar, senão iria pegar fogo. Imagina um veículo que carrega pacientes trafegar em condições sub-humanas. Este é o jeito “quem ama cuida”, só toço para que minha esposa não fique doente porque os responsáveis serão punidos, com certeza. É um absurdo o modo que somos tratados, já deu... #prontofalei”. Infelizmente não há fotos da ambulância que fazia o transporte, e por isso as fotos que ilustram esta reportagem são de 2016, quando tivemos que tratar do assunto. 
Aliás, este é um assunto bastante recorrente. Em setembro de 2016 fizemos uma reportagem falando sobre o descaso com os veículos da Saúde. Relatos de pneus que estouraram na estrada, de veículos que ficaram parados na pista por falta de manutenção e de falta de um mínimo conforto chegaram à redação de O Jornal de diversas formas, tanto pessoalmente quanto por nossas redes sociais. Cada um deles nos faz ter mais e mais a certeza de que a Saúde em Bebedouro, sem clichês, pede socorro.  
Cássia, na época, questionou o transporte de pacientes. “Vocês estão vendo essa imagem aqui? Então, estamos a caminho do HC de Ribeirão e os únicos 3 lugares que nós temos para segurar dentro de um furgão que o sr. Prefeito colocou para irmos a Ribeirão. Já pensaram se Deus nos livre e guarde, acontecer alguma coisa? Nós seguramos onde? Nesse suporte de oxigênio e nas barras de ferro que têm no teto da ambulância? Isso chega a ser desumano da parte do Fernando Galvão. E os senhores vereadores que falaram que iriam ajudar, que até agora ninguém fez nada? Este ano é ano de eleição, vamos trocar os vereadores, o prefeito, para ver se a nossa cidade vai para frente...” As fotos citadas por Cássia ilustram esta reportagem. Vale lembrar que transportar pessoas sem o cinto de segurança é considerado infração de trânsito. 
Miguel também fez duras críticas ao transporte de pacientes, no caso dele, para Barretos. Ele concedeu entrevista à jornalista Elen Barca, na ocasião. “Eu presenciei, nessas idas para Barretos, o ônibus que faz o trajeto de Bebedouro ao Hospital de Câncer duas vezes ao dia, quase acontecer um acidente a quinze quilômetros de Colina. Estourou um pneu, foi um barulho horrível. Quando descemos e fomos ver a situação dos pneus, era pneu ressolado, todos os pneus do ônibus eram pneus ressolados. Tivemos sorte por estarmos quase na subida, e o motorista, com habilidade, conseguiu controlar o veículo e jogá-lo para o acostamento, mas poderia ter acontecido uma catástrofe porque eram pneus ressolados e já em péssima qualidade. A gente estava cobrando, e o próprio motorista disse que haviam falado para ele, na Garagem, que era para levar a situação do ônibus até quando desse, inclusive esse veículo que leva as pessoas para Barretos não tem a terceira marcha, e faz muitos meses que não tem. O motorista leva o ônibus com esforço dele mesmo, do jeito que dá para ele levar. Havia mais de 30 pessoas dentro do ônibus, se acontecesse algo poderia ser uma tragédia”.
A Prefeitura, e seu site na época, disse que alguns veículos da Saúde estariam sendo recuperados. Tomara que seja verdade e que este descaso para com os pacientes que mais precisam acabe. Ou então, em breve, poderemos ter que noticiar uma tragédia.


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