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Vereador Chanel foi um dos políticos beneficiados com dinheiro da JBS

26 de maio
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Delator da JBS afirmou que propina foi entregue para 1829 candidatos de 28 partidos no país

Chanel recebeu R$ 121.600,00 da JBS e mais R$ 4,4 mil da Seara, empresa do grupo

Campanha de Chanel também recebeu R$ 55.979,50 de outra empresa envolvida em corrupção, a Odebrecht

Caiu como uma bomba a notícia, publicada pelo O Globo no início da noite no dia 17 de maio, sobre delação premiada feita pelo presidente da holding J&F, Joesley Batista, e seu irmão Wesley, incriminando o presidente da República, Michel Temer (PMDB), o senador Aécio Neves (PSDB), o ex-ministro da Economia Guido Mantega (PT), a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e outros políticos. 
Segundo a imprensa, a rede de corrupção encabeçada pela JBS era tão grande que atinge 1.829 políticos em todo o Brasil, desde o presidente até vereadores, que receberam propina da organização criminosa intitulada JBS.
Segundo o jornal “O Globo”, o diretor da JBS Ricardo Saud traçou, em delação premiada, um verdadeiro inventário da propina, com listagem de doações que somam quase R$ 600 milhões para 1.829 candidatos de 28 partidos das mais variadas colorações. Saud detalhou que a empresa conseguiu eleger 167 deputados federais de 19 siglas, bancou 28 senadores da República e fez 16 governadores.  A listagem com valores, cargos, partidos, entre outras informações, foi entregue por Saud aos investigadores: "Estas pessoas estão cientes disso."
Para tristeza dos bebedourenses, um político de Bebedouro, o vereador José Baptista de Carvalho Neto, o Chanel, do partido Solidariedade, está entre os candidatos beneficiados com dinheiro da JBS e, para piorar a situação, ainda recebeu dinheiro da Odebrecht, que conforme foi amplamente noticiado, tinha um departamento de propinas.

JBS
A prestação de contas apresentada pelo vereador Chanel à Justiça Eleitoral mostra diversos repasses da JBS à sua campanha a deputado estadual em 2014, realizados através do Diretório Estadual do Solidariedade.
No dia 21 de junho de 2014, a JBS liberou R$ 200,00 e R$ 1.050,00. Era só o começo dos repasses, pois no dia 23 de julho, do volume que a empresa liberou, o Solidariedade de São Paulo repassou mais R$ 2.250,00 para Chanel e no dia 30 de julho encerrou o mês com mais um repasse de R$ 750.
Perto do que vinha em seguida, os valores iniciais ficaram parecendo gorjetas, pois no dia 6 de agosto, diretamente da JBS, o Solidariedade repassou para Chanel a quantia de R$ 50 mil, no dia 12 de agosto mais R$ 1,4 mil, no dia 18 de agosto mais R$ 60 mil e no dia 23 de setembro, mais R$ 5,5 mil.
De outra empresa do grupo, a Seara, ainda veio no dia 6 de agosto mais R$ 4.411,76.
Por receber dinheiro da JBS, o senador Aécio Neves foi afastado do Senado e o deputado federal Rodrigo Loures, foi afastado da Câmara Federal.
Segundo o jornal “O Globo”, o depoimento do relator Saud já estava sendo finalizado, quando ele pediu a palavra para dizer: “É importante a gente trabalhar que desses R$ 500 milhões, quase R$ 600 milhões que estamos falando aqui, praticamente, tirando esses R$ 10 (milhões), R$ 15 milhões aqui, o resto tudo é propina. Tudo tem ato de ofício, tudo tem promessa, tudo tem alguma coisa. Então eu gostaria de deixar registrado que nós demos propina para 28 partidos. Esse dinheiro foi desmembrado para 1.829 candidatos. Eleitos foram 179 deputados estaduais de 23 estados, 167 deputados federais de 19 partidos. Demos propina para 28 senadores da República, sendo que alguns disputaram e perderam eleição para governadores e alguns disputaram a reeleição ou eleição para o Senado. E demos propina para 16 governadores eleitos, sendo quatro do PMDB, quatro do PSDB, três do PT, dois do PSB, um do PP, um do PSD. Foi um estudo que eu fiz, por conta minha (...) Acho que no futuro vai servir. Aqui estão todas as pessoas que receberam propina diretamente ou indiretamente da gente”.
Segundo o delator Saud, os beneficiários com dinheiro de propina da JBS tinham consciência da origem dos recursos e da razão pelas quais estavam recebendo propina, tanto é que o delator ressaltou que “os beneficiários tinham conhecimento das doações não oficiais” e possivelmente confiando na boa e velha impunidade de sempre, aceitaram a grana, pois possivelmente na cabeça deles “os fins [ser eleito]”, justificam “os meios [se eleger utilizando dinheiro ilícito]”.

Odebrecht
Da Construtora Norberto Odebrecht, que segundo a imprensa tinha um departamento exclusivo de propinas, o vereador Chanel, através do Diretório Estadual do Solidariedade, recebeu R$ 55.979,50 pagos em 3 remessas em 2014.
No dia 25 de agosto a campanha do então candidato a deputado estadual, José Baptista de Carvalho Neto, o Chanel, foi irrigada com R$ 5.882,00, vindos da Construtora Norberto Odebrecht através do Diretório Estadual. No dia 26 de agosto a Odebrecht enviou mais um troquinho: R$ 97,50. E no dia 28 de agosto, finalmente as torneiras se abriram: o Diretório Estadual repassou R$ 50 mil, vindos possivelmente do departamento de propinas da Odebrecht.
A relação da construtora com a força sindical aparece nas delações feitas por ex-executivos da empresa e agora está num dos inquéritos que investiga o deputado federal Paulinho da Forca. 
Segundo o Portal G1, o ex-presidente da Odebrecht Ambiental, Fernando Luiz Ayres Reis, disse à Procuradoria-Geral da República que o próprio Paulinho pedia a ajuda e inclusive, pediu dinheiro para a campanha de 2014, via caixa 2, e ganhou o codinome “Forte” na lista de pagamentos ilegais da Odebrecht: “Nós acertamos um milhão de reais de contribuição. E nós acertamos o nome de ‘Forte’, uma relação à Força Sindical.” 
Fernando Reis afirmou que os pagamentos tinham um único objetivo. “Que a gente tivesse com ele uma relação boa e através dele quase que uma tutoria para gente saber lidar com os movimentos sindicais e as centrais sindicais no Brasil.”
O executivo contou que seu relacionamento com o parlamentar começou em 2013, durante as manifestações de junho. Reis lembra que a empresa teve sua sede em São Paulo invadida e cita a greve na Empresa Brasileira de Terminais Portuário (Embraport), que pertence à Odebrecht, como um dos episódios em que contou com a ajuda do deputado sindicalista. Paulinho recomendou estratégias para a Odebrecht, apresentou pessoas que podiam ajudar a debelar greves e promoveu contatos com representantes do movimento sem teto para evitar novas invasões.
O deputado Paulinho da Força confessou que recebeu R$ 1 milhão, mas justificou que sua campanha ficou só com R$ 158.563,00, pois o restante dos recursos foi para várias campanhas de candidatos do partido, entre elas, a do vereador Chanel, que concorreu a deputado estadual em 2014. Paulinho da Força é citado em inquérito da Procuradoria-Geral da República.

Outro lado
Diante do fato do vereador Chanel sempre se negar a responder os questionamentos de O Jornal, enviamos à Assessoria de Imprensa da Câmara de Bebedouro um pedido de esclarecimentos do vereador sobre os possíveis recursos de propina vindos da JBS e da Odebrecht para a campanha a deputado estadual de Chanel em 2014.
Até o fechamento desta edição na sexta-feira (26), o O Jornal não havia recebido respostas do vereador Chanel para o triste fato de ele ter realizado uma campanha com recursos possivelmente oriundos de propina.


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