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“Não pense que vai melhorar, vai piorar”, disse a líder do prefeito sobre o problema dos morad

16 de junho
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Incomodado com as críticas do vereador Chanel, o prefeito Fernando Galvão estimulou pessoas da Assistência Social a irem à Câmara e orientou sua líder, a vereadora Sebastiana Tavares, a rebater e atacar o Presidente da Casa

Tudo indicava que no Dia dos Namorados, 12 de junho, a Câmara teria uma sessão rápida e simples, onde o assunto mais importante seria a aprovação de uma moção de repúdio contra o Presidente da República. 
Ledo engando, pois ainda ecoava as críticas feitas na sessão anterior, ocorrida no dia 5 de junho, na qual o Presidente da Câmara, José Baptista de Carvalho Neto, o vereador Chanel (SD), tratando da questão dos moradores de rua, afirmou que “estamos enxugando gelo”, destacando a falta de resultados da Prefeitura e a falta de atitude por parte do prefeito com relação ao número cada vez maior de moradores de rua em Bebedouro. “Temos que achar uma solução e não cruzar os braços”, cobrou o vereador Chanel, lembrando que já conversou com várias pessoas, inclusive com o secretário Archibaldo Camargo e com o comandante da Guarda Civil Municipal, André Rosa, que argumentaram que não podem fazer nada. 
Para quem achava que o presidente Chanel encerraria as críticas por aí, ele surpreendeu ao subir o tom e afirmar que o descaso com relação ao crescimento no número de moradores de rua está fazendo com a cidade esteja virando “a cidade dos mendigos”, ressaltando que “está faltando pulso firme ao prefeito Fernando Galvão”, lembrando que o prefeito não atende nem os diretores e chegando ao ápice, afirmando que “o cara [o prefeito] só aparece em festa” e que “Ele [Fernando Galvão] só aparece na hora das fotos em que a situação é favorável” e que só estaria fazendo “perfumaria” (ações sem muita importância).
Não sabe se o que doeu mais foi o “Bebedouro virou a cidade dos mendigos”, ou o “o cara só aparece em festa” ou o “perfumaria”. O que se sabe é que a sessão que deveria ser rápida e tranquila logo no início mostrou que não seria, pois membros do setor de Assistência Social tomaram algumas cadeiras na Câmara enquanto, estimulada pelo diretor de Gabinete, Paulo Sérgio Garcia Sanchez, a líder do prefeito na Câmara, a vereadora Sebastiana Tavares, já foi logo fazendo um discurso que dava a entender que não só queriam enfiar o dedo na cara de Chanel, como também humilhá-lo indicando má fé e jogá-lo contra o pessoal da Assistência Social.
“Na semana passada o Chanel fez uma crítica aqui sobre a situação dos moradores de rua, não se faz nada, são ineficientes as ações do departamento, tanto o CREAS quanto à Assistência Social, e aí as meninas enviaram o relatório aqui, eu vou estar falando para vocês aquilo que é realizado. As portas do Departamento estiveram sempre abertas para que todos nós pudéssemos estar lá. Quando se fala que não é feita nenhuma ação, quando se fala que se deixa a desejar, às vezes sim, porque às vezes independe da vontade delas, depende da vontade dos moradores de rua quererem sair dessa situação”, disse a líder do prefeito Galvão na Câmara, a vereadora Sebastiana.
Mantendo o hábito de sempre tentar reduzir os problemas da cidade lembrando que em outras localidades ocorrem a mesma coisa, a vereadora ressaltou que o problema é sério e até Curitiba passa por isso, pois “drogas, bebidas e problemas familiares”, estariam tirando pessoas de casa, fazendo-os virar moradores de rua.
“Eles não querem voltar para suas residências, fica esse vai e vem, sabemos que incomoda, mas são ações que estão sendo realizadas, só que podem ter certeza, vou colocar uma frase que o Bacaninha coloca nos cursos que ele dá: ‘Não pense que vai melhorar, vai piorar’. Isso não é a minha fala, é a fala de pessoas capacitadas que trabalham nisso. A gente vê pela violência e pela crise econômica que estávamos atravessando, não é só crise econômica, é crise familiar”, destacou a vereadora Sebastiana.
Em seguida a vereadora apresentou alguns números que “elas [assistentes sociais] pediram para que eu estivesse colocando para vocês algumas classificações quantitativas dos moradores”.
Segundo o relatório que a vereadora Sebastiana leu, Bebedouro tem 39 moradores de rua, na faixa dos 19 aos 70 anos e que chegaram a essa condição em virtude de “conflitos familiares por uso abusivo de drogas e álcool”.
Afirmou que 110 abordagens foram realizadas no mês de maio e que 23 abordagens foram feitas com itinerantes. Que o CREAS, o setor especializado para tratar desse assunto, realizou 149 atendimentos e nestes 3 anos conduziu 22 pessoas para internações, sendo que só uma concluiu o tratamento, 17 retornaram antes do término e 4 estão internadas hoje.
Sobre os itinerantes, afirmou que 76 passagens foram distribuídas conduzindo-os para outros destinos, tais como Barretos, Olímpia, Jaboticabal e Pitangueiras, que também enviam itinerantes para Bebedouro e que no mês gastaram R$ 923,00.
Após apresentar os números a vereadora afirmou “quero enaltecer o trabalho de vocês” e ressaltou que ações estão sendo realizadas e “quem fala que não [o vereador Chanel], 
é porque não procura. Vai ver o trabalho. Precisamos de mais gente para ajudar. Precisamos de igrejas, instituições, não somente o setor público. Infelizmente a falência familiar incorre nessa problemática”.
E finalizou criticando mais uma vez Chanel, afirmando que ele deveria ajudar ao invés de criticar, que quando aponta um dedo para alguém, três dedos apontam para si: “Agora entenda quem quiser e critique, quem não sabe ver o que está sendo feito. Infelizmente nós não vamos ser a verdade. A verdade, acredita quem quer, mas está sendo feito, assim como outras ações do nosso município. Dificuldades, temos muitas. Desafio nós temos, enormes. Mas nos ajudem a transpor, porque enquanto você aponta o dedo, tem três para você”.
Após sua fala, o vereador Chanel, rindo, chamou o próximo vereador que faria uso da tribuna e também, rindo, indicando satisfação com o discurso da líder do prefeito, o diretor de Gabinete, Paulo Sérgio Garcia Sanches, circulava pela plateia.


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